EUA cancelam evento militar e ampliam tensão com Brasil

Decisão atinge conferência espacial organizada com a FAB e pode afetar a participação dos EUA na Operação Formosa, em meio a crise política entre Lula e Trump

Por Plox

20/08/2025 11h41 - Atualizado há 11 dias

Os Estados Unidos decidiram cancelar a edição de 2025 da Conferência Espacial das Américas, que seria realizada em parceria com a Força Aérea Brasileira (FAB) entre os dias 29 e 31 de julho, em Brasília. A medida, oficializada no último dia 23 de julho, acendeu um alerta no Ministério da Defesa e tem sido vista como mais um reflexo da crise política entre os governos de Lula (PT) e Donald Trump.


Imagem Foto: Agência Senado


De acordo com a FAB, o cancelamento foi de iniciativa dos EUA. Procurado, o Southcom (Comando Sul norte-americano), que organizaria o evento, não se manifestou. A conferência reuniria representantes de vários países do continente, com o objetivo de fortalecer a cooperação no setor espacial, abrangendo não só aspectos militares, mas também econômicos, tecnológicos e de pesquisa.



O gesto dos americanos preocupa Brasília porque ocorre em meio a sinais de afastamento em outras áreas da cooperação militar. A participação dos EUA na Operação Formosa, o maior exercício da Marinha brasileira, também está em dúvida. O evento mobiliza cerca de 2.000 militares em Formosa (GO), com mais de 100 viaturas e oito helicópteros. Nos últimos anos, os fuzileiros navais norte-americanos vinham enviando tropas para o exercício, mas até agora não responderam ao convite feito pela Marinha do Brasil.



O distanciamento também se dá em meio a atritos diplomáticos. O governo Trump acusou o presidente Lula e o Supremo Tribunal Federal de conduzirem uma \"caça às bruxas\" contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, réu por tentativa de golpe. Washington impôs sanções financeiras ao ministro Alexandre de Moraes, cassou vistos de magistrados e de servidores ligados a programas brasileiros e aplicou sobretaxas de 50% sobre produtos nacionais.


“O evento foi cancelado por decisão dos Estados Unidos no dia 23 de julho”, informou a FAB em nota

Na esfera militar, a aproximação entre Brasil e China também pesa. Tropas chinesas participaram da Operação Formosa em 2024, e o governo brasileiro decidiu ampliar sua presença militar em Pequim, enviando um oficial-general para a embaixada. Esse movimento é visto como um dos fatores de desconforto para Washington.



Apesar dos sinais de afastamento, oficiais brasileiros lembram que não há rompimento da cooperação militar. Em julho, aviões cargueiros norte-americanos participaram do Exercício Conjunto Tápio, realizado em Campo Grande (MS). Além disso, está mantida para novembro a Operação Core 2025, um treinamento conjunto entre Brasil e EUA voltado à padronização de procedimentos militares.



O mal-estar diplomático não é recente. Na primeira visita ao Brasil do chefe do Comando Sul, almirante Alvin Holsey, agendas previstas acabaram canceladas após os EUA exigirem incluir uma base do Exército em Rio Branco (AC) no roteiro — pedido que gerou estranhamento entre militares brasileiros.



O Ministério da Defesa segue monitorando os próximos movimentos, enquanto a relação entre Brasília e Washington continua marcada por tensões políticas e estratégicas.


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