Uma nova rodada da pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (20), trouxe um retrato da percepção dos brasileiros sobre o embate comercial entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. A maioria da população desaprova a decisão do presidente norte-americano de sobretaxar exportações brasileiras, ao mesmo tempo em que reconhece a postura de Lula como a mais adequada frente à crise.
Foto: Presidência / Casa Branca De acordo com o levantamento, 48% dos entrevistados entendem que Lula e o PT conduzem corretamente as negociações em relação ao chamado 'tarifaço', índice que cresceu quatro pontos em relação à pesquisa de julho. Já os que acreditam que o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados têm a melhor conduta somam 28%, enquanto 15% não enxergam acerto em nenhum dos lados.
A rejeição a Trump também se manteve alta: 71% afirmam que ele erra ao adotar a sobretaxa contra o Brasil, alegando perseguição política a Bolsonaro. Apenas 21% concordam com a medida, enquanto 8% não souberam opinar. Para a maioria (51%), a iniciativa do republicano está ligada a interesses políticos pessoais, enquanto 23% enxergam uma motivação comercial.
Houve ainda uma leve oscilação na percepção sobre os impactos da medida: 77% acreditam que podem ser prejudicados pela sobretaxa, contra 79% em julho. Já os que não veem riscos cresceram de 17% para 20%. Quanto às perspectivas de solução, 48% avaliam que o governo brasileiro terá condições de fechar um acordo para reduzir as tarifas, enquanto 45% duvidam dessa possibilidade.
O papel do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) também foi abordado. A maioria dos entrevistados (69%) considera que ele atua em benefício próprio e da família, e não em prol do país. Apenas 23% acreditam que ele defende os interesses nacionais. Em contrapartida, 49% enxergam em Lula a defesa do Brasil, embora 41% avaliem que o petista também aproveite a situação para autopromoção.
"Eduardo Bolsonaro age em defesa dos próprios interesses e da família", apontou 69% dos entrevistados.
O levantamento ouviu 2.004 pessoas em todo o país entre os dias 13 e 17 de agosto. Além da amostra nacional, foram realizadas entrevistas complementares em estados estratégicos: São Paulo (1.644), Minas Gerais (1.482), Rio de Janeiro (1.404), Bahia (1.200), além de Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul e Pernambuco (1.104 em cada). A margem de erro nacional é de dois pontos percentuais. A pesquisa foi encomendada pela Genial Investimentos.