Agosto Dourado: especialista explica o que toda família precisa saber sobre amamentação

Dados do Enani-2019 apontam prevalência de 45,8% entre crianças menores de seis meses; pediatra esclarece dúvidas durante o Agosto Dourado.

20/08/2026 às 17:50 por Redação Plox

O leite materno muda de composição ao longo do tempo, não precisa ser complementado com água nos primeiros seis meses e o chamado “leite fraco” é um mito. Ao mesmo tempo, dor, dificuldades na pega, retorno ao trabalho e falta de uma rede de apoio estão entre os fatores que podem tornar a amamentação desafiadora para muitas mulheres.


Aleitamento materno exclusivo é recomendado até os seis meses, mas menos da metade das crianças brasileiras nessa faixa etária recebe somente leite materno, segundo dados nacionais.

Aleitamento materno exclusivo é recomendado até os seis meses, mas menos da metade das crianças brasileiras nessa faixa etária recebe somente leite materno, segundo dados nacionais.

Foto: Reprodução / Agência Brasil.



Essas questões ganham destaque durante o Agosto Dourado, mês dedicado à promoção do aleitamento materno no Brasil. A campanha foi instituída pela Lei Federal nº 13.435/2017 e recebe a cor dourada em referência ao chamado “padrão ouro” do leite materno.


Para esclarecer dúvidas comuns sobre o assunto, o Plox conversou com a pediatra Dra. Ana Luisa Barcelos, que destacou que a amamentação deve ser incentivada, mas também acompanhada de informação e suporte às mães.



Dra. Ana Luisa Barcelos - Pediatra.

Vídeo: Stella Dutra / Plox Brasil.

Menos da metade dos bebês recebe aleitamento exclusivo até os seis meses

O Ministério da Saúde recomenda que o bebê receba exclusivamente leite materno até os seis meses de idade, sem necessidade de água, chás, sucos ou outros alimentos. Depois desse período começa a alimentação complementar, mas a orientação é manter a amamentação até os dois anos ou mais.

Apesar do avanço registrado nas últimas décadas, os dados nacionais mostram que a recomendação ainda não é alcançada por grande parte das famílias.


O Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani-2019) apontou prevalência de aproximadamente 45,8% de aleitamento materno exclusivo entre crianças brasileiras menores de seis meses. Em 1986, esse percentual era de apenas 3%, mostrando uma evolução significativa, embora ainda haja espaço para ampliar a prática.


Ana Luisa explica que o leite materno fornece nutrientes e fatores de proteção importantes para o desenvolvimento da criança.



Dra. Ana Luisa Barcelos - Pediatra.

Vídeo: Stella Dutra / Plox Brasil.


Segundo o Ministério da Saúde, além da nutrição, a amamentação repercute na proteção contra infecções e no desenvolvimento cognitivo e emocional da criança. Para a mulher, também está associada a benefícios como redução do risco de câncer de mama e de ovário.

“Leite fraco” existe?

Uma das dúvidas que ainda chegam aos consultórios é se determinadas mulheres produzem um leite considerado “fraco”.

Segundo a pediatra, a aparência do leite não determina sua qualidade. O aspecto e a composição mudam durante o período de amamentação e podem variar inclusive ao longo do dia.


Nos primeiros dias após o nascimento, por exemplo, é produzido o colostro, que possui características diferentes do leite observado posteriormente.

Tem mulher que tem leite muito denso, muito gorduroso, tem mulher que tem leite mais líquido, e isso não quer dizer que um é melhor do que o outro. O leite sempre vai ser produzido individualmente para o seu bebê afirma a Dra. Ana Luisa.

O Ministério da Saúde também classifica como mito a ideia de que o leite perde os benefícios depois dos seis meses. A partir dessa idade, outros alimentos devem ser introduzidos, mas o leite materno continua sendo fonte de nutrientes e fatores de proteção.

Dor pode indicar que algo precisa ser corrigido

Embora seja um processo natural, amamentar também envolve aprendizado. Entre as dificuldades relatadas pelas mães estão dor, fissuras nas mamas e problemas relacionados à pega do bebê.


Ana Luisa explica que posicionamento e pega adequados são importantes para prevenir complicações.



Dra. Ana Luisa Barcelos - Pediatra.

Vídeo: Stella Dutra - Plox Brasil.


Quando houver dor persistente, ferimentos ou outras dificuldades, a orientação é procurar um profissional capacitado para avaliar a amamentação e identificar o problema.

Volta ao trabalho não precisa significar fim da amamentação

Outro desafio aparece quando termina a licença e a mulher retorna ao trabalho. A recomendação de aleitamento exclusivo até os seis meses pode esbarrar justamente na rotina profissional. Para a Dra. Ana Luisa, planejamento e apoio podem permitir que o bebê continue recebendo leite materno mesmo durante os períodos em que a mãe estiver ausente.



Dra. Ana Luisa Barcelos - Pediatra.

Vídeo: Stella Dutra - Plox Brasil.


Durante a entrevista, a pediatra mostrou recipientes próprios para armazenamento e explicou que a retirada pode ser realizada manualmente ou com auxílio de bombas.



Dra. Ana Luisa Barcelos - Pediatra.

Vídeo: Stella Dutra / Plox Brasil.



Amamentação não é responsabilidade apenas da mãe

Para a pediatra, um dos principais recados do Agosto Dourado é justamente que o sucesso da amamentação não pode ser colocado exclusivamente sobre os ombros da mulher.


Família, companheiro, profissionais de saúde, empresas, creches e outros espaços frequentados pela mãe e pelo bebê podem influenciar na continuidade do aleitamento.

O papel na amamentação é da sociedade. É dessa empresa que precisa ter um local apropriado para essa mulher fazer a ordenha, ter um local para poder armazenar o leite. A rede de apoio precisa entender a importância de ofertar o leite destaca.

O próprio Ministério da Saúde reconhece que a continuidade da amamentação depende também do suporte oferecido pela família, pelos serviços de saúde e pelo ambiente de trabalho.


Por isso, além de divulgar os benefícios do leite materno, o Agosto Dourado coloca em discussão as condições necessárias para que as mulheres que desejam amamentar consigam fazê-lo com informação, assistência profissional e uma rede de apoio adequada.

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