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    Especialista comenta sobre vídeo de reencontro de pessoas mortas via realidade virtual

    “Fazer a mãe observar uma filha que morreu em 2016 em realidade virtual foi algo cruel” comenta neurocientista Fabiano de Abreu sobre caso ocorrido na Coréia

    Por Plox

    20/12/2021 11h01 - Atualizado há 5 meses

    Um vídeo gravado na Coréia mostra uma experiência de realidade virtual onde uma mãe viu sua filha que morreu em 2016. No material, é possível ver a mãe, a equipe que realizou a gravação e também a plateia chorando. Embora tenha despertado grandes emoções, o neurocientista Fabiano de Abreu considera o ocorrido cruel e prejudicial para o processo de luto vivido pela mãe. 

    Segundo especialista, a realidade virtual é somente virtual: não se trata de algo real, vivo, de algo capaz de satisfazer as necessidades humanas - ao contrário, essa ação prejudica o processo de luto. Devido à dor e saudade, pode parecer que em um primeiro momento a experiência virtual de reviver um ente morto seja benéfica. Todavia em seguida: “a percepção real de que aquilo não é verdadeiro, cria uma expectativa, aumenta a pendência, que é semântico à ansiedade e suas consequências”, explica.

    A dor do processo de luto desencadeia emoções terríveis no indivíduo: "nem sempre conseguimos lidar com as nossas emoções. Por isso pessoas buscam terapias, pois o cérebro pode moldar se de acordo com a tristeza, trazendo consequências como doenças ou transtornos mentais”, alerta o neurocientista. Todavia, ele destaca que embora a realidade virtual promova uma emoção momentânea, ela prejudica o processo de superação do luto a longo prazo. 

    Criar uma simulação computadorizada de um ser humano que morreu é uma tentativa de fuga da realidade que prejudica o processo de luto. O especialista adverte que “o melhor remédio para o luto, são as boas memórias formatadas. É a superação mediante a adversidade. A consciência de que deve-se girar a chave e formatar uma vida sem a pessoa e, esta, tem sua importância na lembrança que impulsiona para a tomada de decisões”, afirma.

    Segundo o neurocientista, ao invés de promover um processo de cura, onde a dor pode ser superada, a realidade virtual só pode apenas tentar disfarçar a dor e  aprisionar o indivíduo nela. Quando a pessoa está presa em sua dor, ela não possui a liberdade de moldar o seu cérebro em prol da adaptação e consequentemente a superação da sua perda.  

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