Polícia procura suspeito de levar assassinos que mataram três médicos na Barra da Tijuca
Ação envolve Polícia Civil e Ministério Público; investigações revelam confusão de identidade que resultou nas mortes dos médicos durante congresso de ortopedia
Por Plox
20/12/2024 14h30 - Atualizado há 8 meses
Uma operação conjunta entre a Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro foi deflagrada nesta sexta-feira (20) para capturar Giovanni Oliveira Vieira, apontado como o responsável por conduzir os assassinos ao quiosque onde três médicos foram executados em outubro de 2023, na orla da Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.

Giovanni é acusado de agir como "batedor", guiando o carro que transportava os atiradores até o local do crime. Imagens de câmeras de segurança mostraram Giovanni conduzindo uma moto enquanto o veículo dos atiradores o seguia até o Quiosque do Naná, onde o ataque ocorreu. Um outro homem, cujo nome não foi revelado, também é alvo de mandado de busca e apreensão na mesma operação.
A operação, que conta com agentes da Delegacia de Homicídios da Capital (DH), Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), percorre as ruas da Cidade de Deus, Zona Oeste do Rio, em busca dos alvos.
Confusão de identidade e morte dos médicos
O crime ocorreu quando os médicos participavam de um congresso de ortopedia e foram ao quiosque para jantar. Perseu Ribeiro Almeida, um dos médicos, foi confundido com o miliciano Taillon de Alcântara Barbosa. De acordo com as investigações, um informante do tráfico teria identificado erroneamente Perseu como Taillon, filho de Dalmir Pereira Barbosa, apontado como um dos principais chefes de uma milícia que controla a região de Rio das Pedras.
Na ação criminosa, além de Perseu, foram mortos Marcos Andrade Corsato e Diego Ralf de Souza Bonfim. Um quarto médico, Daniel Sonnewend Proença, foi atingido por 14 tiros, mas sobreviveu e está em tratamento médico.
Acusados e chefes do Comando Vermelho denunciados
O Ministério Público também denunciou chefes e integrantes da facção Comando Vermelho que participaram ou autorizaram o ataque. Os nomes citados incluem Edgar Alves de Andrade, o "Doca" ou "Urso", Carlos da Costa Neves, conhecido como "Gardenal", Juan Breno Malta Ramos Rodrigues, o "BMW", e Francisco Glauber Costa de Oliveira, o "GL".
Francisco Glauber, inclusive, já estava preso no Complexo de Gericinó e teve contra ele cumprido um novo mandado de prisão nesta sexta-feira. Ele é acusado de autorizar a execução dos próprios traficantes que participaram do ataque.
Execução dos executores
Após perceberem o erro na identificação da vítima, a cúpula do Comando Vermelho ordenou a execução dos cinco criminosos que participaram do ataque aos médicos. Ryan Nunes de Almeida, Thiago Lopes Claro da Silva e Pablo Roberto da Silva dos Reis foram mortos na comunidade da Chacrinha, também na Zona Oeste. Eles faziam parte da equipe "Sombra", grupo de elite do tráfico encarregado de monitorar e eliminar adversários.
Philip Motta Pereira, o "Lesk", que foi o mentor do ataque e responsável por avisar os chefes da facção, também foi morto. Ele foi baleado na porta de casa na Gardênia Azul e, em seguida, seu corpo foi levado para o Complexo da Penha. Depois, foi abandonado em um carro na região de Jacarepaguá.
O quinto envolvido, o motorista Elias Thiago Reis, de 24 anos, conhecido como "Militão", escapou inicialmente, mas foi morto 47 dias após o ataque. Ele tentou roubar um carro no Recreio dos Bandeirantes, mas o motorista do veículo reagiu, jogando o carro contra a moto de Militão. Ele caiu, se feriu e morreu a caminho do hospital. Militão tinha 16 passagens pela polícia.
Histórico dos médicos mortos
- Marcos de Andrade Corsato, 62 anos: Médico assistente do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da USP. Ele morreu no local.
- Perseu Ribeiro Almeida, 33 anos: Especialista em cirurgia do pé e tornozelo, também formado pelo Hospital das Clínicas da USP. Ele havia comemorado aniversário dois dias antes de ser assassinado.
- Diego Ralf de Souza Bonfim, 35 anos: Especialista em reconstrução óssea pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia da USP. Ele era irmão da deputada federal Sâmia Bomfim e morreu após ser socorrido e levado ao Hospital Lourenço Jorge.
Sobrevivente em tratamento
- Daniel Sonnewend Proença, 32 anos: Formado pela Faculdade de Medicina de Marília em 2016, ele é especialista em cirurgia ortopédica. Daniel sobreviveu ao ataque, mesmo após ser atingido por 14 disparos. Ele segue em tratamento em São Paulo.
As investigações continuam, e as autoridades buscam capturar todos os envolvidos na execução e nas mortes dos participantes do ataque.