Banco Central decreta liquidação do Will Bank e retira instituição do sistema financeiro
Banco digital do grupo Master, em administração especial desde novembro, tem bens de controladores e ex-administradores tornados indisponíveis após fracasso em tentativa de venda
21/01/2026 às 10:50por Redação Plox
21/01/2026 às 10:50
— por Redação Plox
Compartilhe a notícia:
O Banco Central decretou nesta quarta-feira (21) a liquidação do Will Bank, banco digital do grupo Master que estava, desde novembro, sob regime de administração especial temporária.
Will Bank foi criado em 2017 e comprado pelo Master em 2024
Foto: /Instagram @eusouwillbank
Na ocasião em que determinou a liquidação do Banco Master, em 18 de novembro, o BC decidiu preservar o Will Bank diante da existência de investidores interessados na compra da instituição — operação que, porém, não se concretizou. O regime especial poderia ser mantido por até 120 dias.
Liquidação retira banco do sistema financeiro
A liquidação é adotada quando o Banco Central conclui que a situação de uma instituição financeira é irrecuperável. Nesses casos, o funcionamento é interrompido e o banco é retirado do sistema financeiro nacional.
Antes do anúncio desta quarta-feira, a bandeira Mastercard já havia decidido parar de aceitar transações com cartões emitidos pelo Will Bank, após operações realizadas por consumidores deixarem de ser honradas pelo banco junto aos participantes do arranjo de pagamento. A medida buscava impedir o aumento do valor devido pela instituição.
Além disso, a bandeira executou garantias ligadas a dívidas do Will Bank e passou a deter participações relevantes na varejista de móveis Westwing e no BRB (Banco de Brasília).
Diferença entre administração especial e liquidação
No regime de administração especial temporária, as atividades do banco são preservadas, embora os dirigentes percam o mandato. Já na liquidação, o funcionamento da instituição é interrompido e ela é efetivamente retirada do sistema financeiro nacional.
Com o ato de liquidação, os bens dos controladores e dos ex-administradores ficam indisponíveis, conforme previsto nas regras que regem esse tipo de intervenção.
Resultados financeiros e impacto no FGC
Criado em 2017 e comprado pelo grupo Master em 2024, o Will Bank encerrou o primeiro semestre com R$ 14,4 bilhões em ativos, prejuízo de R$ 244,7 milhões e patrimônio líquido em torno de R$ 300 milhões, segundo dados do Banco Central.
Uma eventual venda do Will Bank, como se esperava inicialmente, poderia reduzir as perdas do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), responsável por pagar até R$ 250 mil a 800 mil investidores de Certificados de Depósito Bancário (CDB) e outros títulos garantidos emitidos pelo Banco Master. O montante chega a R$ 40,6 bilhões, na maior indenização já feita pelo fundo.
Sem a venda, a tendência é de aumento das perdas do FGC com o caso Master. O Will Bank fechou setembro com R$ 6,5 bilhões em depósitos a prazo e nenhum valor em depósitos à vista, como conta corrente.
Operação Compliance Zero e caso Master
Paralelamente à liquidação, segue em curso a operação Compliance Zero, que investiga a atuação de fundos de investimento suspeitos de terem sido usados para inflar o patrimônio do Banco Master.
Nesta etapa, foram alvo endereços ligados a Daniel Vorcaro, dono do Master, a parentes do banqueiro e a empresários, entre eles Nelson Tanure e João Carlos Mansur, ex-dono da gestora Reag, investigada no caso Master e suspeita de envolvimento com o crime organizado. A Reag também foi liquidada pelo Banco Central.
Na primeira fase da Compliance Zero, em novembro, Vorcaro foi preso sob acusação de liderar um esquema de criação de carteiras falsas de crédito para inflar o patrimônio do Master e, depois, vender a instituição financeira ao BRB (Banco de Brasília). Ele foi solto menos de duas semanas depois e segue monitorado por tornozeleira eletrônica.