CFM avalia barrar registro de 13 mil formandos reprovados no Enamed

Conselho Federal de Medicina estuda resolução para impedir atuação de recém-formados que não atingirem nota mínima em exame nacional, medida que enfrenta questionamentos jurídicos e pode ir parar na Justiça

21/01/2026 às 12:43 por Redação Plox

O Conselho Federal de Medicina estuda uma medida que pode impedir a atuação imediata de cerca de 13 mil estudantes de medicina prestes a se formar. A proposta é barrar o registro profissional de quem não atingir a nota mínima no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica, o Enamed.

A proposta pode afetar cerca de 13 mil formandos e reacende o debate sobre a criação de um exame de proficiência para médicos, nos moldes da OAB.

A proposta pode afetar cerca de 13 mil formandos e reacende o debate sobre a criação de um exame de proficiência para médicos, nos moldes da OAB.

Foto: Reprodução / ENAMED.



O Enamed é uma prova anual criada para avaliar o desempenho dos alunos e a qualidade dos cursos de medicina no país. Na edição mais recente, 351 cursos foram avaliados e cerca de 30% receberam notas consideradas insatisfatórias.



Avaliação dos estudantes e alerta sobre formação médica

Além dos cursos, o exame também avaliou estudantes do último semestre. De acordo com o Inep, três em cada dez formandos não alcançaram a nota mínima exigida. Para o CFM, o resultado acende um alerta sobre a qualidade da formação médica e os riscos à população.


Para dimensionar o impacto, os cerca de 13 mil estudantes que podem ser impedidos de atuar equivalem a encher mais de 300 salas de aula com 40 alunos cada, ou à população inteira de uma cidade de médio porte. É como se, de uma só vez, todos esses novos médicos ficassem impedidos de iniciar a carreira, o que ajuda a visualizar o tamanho do efeito da medida no sistema de saúde.

CFM estuda barrar registro de 13 mil formandos em Medicina após resultado de exame.

CFM estuda barrar registro de 13 mil formandos em Medicina após resultado de exame.

Foto: Reprodução / Agência Brasil.


Discussão sobre registro profissional e base legal

Diante desse cenário, o Conselho discute a publicação de uma resolução que impediria o registro profissional desses formandos. Na prática, sem o registro, eles não poderiam atender pacientes.

Hoje, a legislação garante o registro automático a todo estudante que conclui o curso de medicina em uma instituição reconhecida pelo Ministério da Educação. Por isso, especialistas em direito apontam que o CFM não teria base legal para criar uma regra que se sobreponha à lei.


Advogados explicam que, caso a resolução seja publicada, a medida deve ser questionada na Justiça. Há entendimento de que o Judiciário pode barrar a regra, mas também existe a possibilidade de uma decisão favorável ao Conselho, com o argumento de proteção à saúde pública.

Projetos de lei e criação de exame de proficiência

Paralelamente, o debate avança no Congresso Nacional. Dois projetos de lei tratam da criação de um exame de proficiência para médicos, nos moldes do exame da Ordem aplicado a advogados. Uma das propostas já foi aprovada em comissão no Senado e a outra tramita em regime de urgência na Câmara dos Deputados.


Os projetos preveem a avaliação dos estudantes ao longo do curso e a exigência de nota mínima para o exercício da profissão, além de medidas para acompanhar a qualidade do ensino e a expansão de vagas de residência médica.

Impacto nos cursos e próximos desdobramentos

Os dados do Enamed indicam que mais de 100 cursos de medicina receberam notas baixas e serão punidos com restrições, como limitações no Fies e suspensão da abertura de novas vagas. Ao todo, cerca de 89 mil alunos participaram da avaliação em todo o país.

A discussão segue em andamento e deve ter desdobramentos tanto no campo judicial quanto no legislativo, com impacto direto na formação e no exercício da medicina no Brasil.

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