Dólar recua e Ibovespa sobe em dia de foco político e liquidação da Will Financeira
Moeda americana abre em leve queda, enquanto Bolsa segue em alta no mês e no ano em meio à liquidação extrajudicial da controladora do Will Bank e a tensões entre EUA e Europa que derrubam bolsas globais.
21/01/2026 às 09:28por Redação Plox
21/01/2026 às 09:28
— por Redação Plox
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O dólar iniciou a sessão desta quarta-feira (21) em queda, recuando 0,25% às 9h05, negociado a R$ 5,3667. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começa a ser negociado às 10h.
Com poucos indicadores econômicos relevantes na agenda, o mercado volta suas atenções para eventos políticos e institucionais, tanto no Brasil quanto no exterior. Discursos, disputas jurídicas e decisões regulatórias ajudam a compor o humor dos investidores neste pregão.
No cenário internacional, o foco está em lideranças globais e em potenciais novas tensões comerciais. No Brasil, o olhar se volta principalmente para medidas do Banco Central.
Dólar, moeda norte-americana
Foto: FreePik
Trump em Davos e tensão com Europa
Em uma sessão esvaziada de dados econômicos, investidores acompanham o discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Fórum Econômico Mundial, em Davos. A participação ocorre em meio a um ambiente de tensões diplomáticas recentes.
Na véspera, Trump elevou o tom ao defender a aquisição da Groenlândia e ameaçar impor tarifas de 200% sobre vinhos e champanhes franceses, após Emmanuel Macron rejeitar integrar o “Conselho de Paz” proposto para Gaza.
As pressões se somam a uma disputa maior entre Washington e a União Europeia em torno da tentativa americana de incorporar a Groenlândia ao seu território. A ilha, localizada no Ártico e pertencente à Dinamarca, tornou-se o centro de um embate político que mobiliza governos europeus.
Países do bloco já discutem respostas coordenadas diante do risco de escalada diplomática e econômica. A tensão aumentou após o anúncio, no sábado (17), de uma tarifa de 10% sobre oito países europeus contrários ao plano de anexação da ilha pelos EUA.
Diante das ameaças, a União Europeia passou a debater cenários que incluem possíveis medidas de retaliação. Autoridades do bloco classificam o uso de tarifas comerciais como instrumento de pressão entre aliados como inadequado.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, criticou a estratégia, afirmando que uma guerra tarifária não atende aos interesses de nenhuma das partes e não contribui para resolver disputas dentro de uma aliança.
Ministros das Finanças europeus reunidos em Bruxelas também reagiram, chamando as decisões americanas de “irresponsáveis” e defendendo uma resposta firme e coordenada.
A soberania e a integridade territorial da Groenlândia e do Reino da Dinamarca são inegociáveis
Ursula von der Leyen
Em outro movimento, Emmanuel Macron enviou uma mensagem direta a Trump demonstrando perplexidade com a ofensiva contra a Groenlândia:
"Não entendo o que você está fazendo em relação à Groenlândia", escreveu o presidente francês.
A troca de mensagens, tornada pública por Trump, antecedeu a convocação de uma reunião de emergência dos líderes europeus, marcada para quinta-feira (22), em Bruxelas. Macron também sugeriu um encontro do G7 em Paris, em busca de uma saída diplomática para a crise.
Caso Lisa Cook e independência do Fed
Nos Estados Unidos, outro ponto de atenção é a audiência na Suprema Corte, marcada para o meio‑dia, sobre a tentativa de Trump de demitir Lisa Cook da diretoria do Federal Reserve (Fed), o banco central americano.
O julgamento é visto como um teste para a independência do Fed e pode abrir um precedente jurídico relevante, com impacto direto na relação entre o Executivo e a autoridade monetária do país.
Banco Central liquida Will Financeira
No Brasil, o destaque é a decisão do Banco Central de decretar, nesta quarta-feira (21), a liquidação extrajudicial da Will Financeira, controladora do Will Bank, sediada em São Paulo e integrante do conglomerado do Banco Master.
Segundo o BC, a medida foi motivada pelo comprometimento da situação econômica da instituição e pela incapacidade de honrar dívidas, em razão do vínculo de interesse e da influência exercida pelo Banco Master, que já havia sido liquidado em novembro.
Desempenho do dólar
No câmbio, além do movimento de queda nesta manhã, o dólar acumula os seguintes resultados:
Acumulado da semana: +0,14%;
Acumulado do mês: -1,98%;
Acumulado do ano: -1,98%.
Ibovespa em alta no mês e no ano
Na renda variável, o Ibovespa registra:
Acumulado da semana: +0,90%;
Acumulado do mês: +3,20%;
Acumulado do ano: +3,20%.
Bolsas globais em queda e corrida por proteção
Os principais índices de Wall Street encerraram a terça-feira em forte baixa, no nível mais fraco em quase três semanas. O movimento veio após Trump renovar ameaças de novas tarifas contra oito países europeus, vinculando o recuo das medidas à compra da Groenlândia — proposta já rejeitada pelas autoridades da ilha e da Dinamarca.
Com o aumento da aversão ao risco, investidores buscaram ativos de proteção. O ouro avançou 1,88%, negociado a US$ 4.758,93 por onça-troy.
Em Nova York, o Dow Jones Industrial Average caiu 1,76%, para 48.488,96 pontos. O S&P 500 recuou 2,06%, aos 6.796,94 pontos, enquanto o Nasdaq Composite perdeu 2,39%, para 22.954,32 pontos.
Mercados europeus acompanham pessimismo
Na Europa, as bolsas seguiram o tom negativo de Wall Street, afetadas diretamente pelas novas ameaças tarifárias dos EUA.
O índice Stoxx 600 recuou 0,72%, aos 602,68 pontos. Em Londres, o FTSE 100 caiu 0,67%, para 10.126,78 pontos. Em Frankfurt, o DAX teve baixa de 1,08%, aos 24.689,67 pontos, enquanto o CAC 40, em Paris, cedeu 0,61%, para 8.062,58 pontos.
Bolsa da Ásia reage a ações regulatórias na China
Na Ásia, os mercados encerraram o dia sob pressão após medidas mais firmes das autoridades reguladoras chinesas contra práticas consideradas abusivas.
Os principais índices tiveram desempenho misto no fechamento. Em Xangai, o SSEC caiu 0,01%, para 4.113 pontos, enquanto o CSI300 recuou 0,33%, para 4.718 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng caiu 0,29%, para 26.487 pontos.
No Japão, o Nikkei perdeu 1,1%, para 52.988 pontos. O Kospi, da Coreia do Sul, caiu 0,39%, para 4.885 pontos. Em Taiwan, o Taiex subiu 0,38%, para 31.759 pontos, enquanto, em Cingapura, o Straits Times recuou 0,23%, para 4.823 pontos.