Minas Gerais tem 12 cursos de medicina com notas baixas no Enamed; veja a lista
Instituições particulares terão suspensão de ingresso, redução de vagas e bloqueio ao Fies após conceito insatisfatório em exame nacional; Faminas e Anup contestam resultados
21/01/2026 às 15:03por Redação Plox
21/01/2026 às 15:03
— por Redação Plox
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Doze instituições de ensino superior com cursos de Medicina em Minas Gerais serão alvo de punições do Ministério da Educação (MEC) após desempenho considerado insatisfatório no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes da Medicina (Enamed).
Em todo o país, mais de 100 universidades tiveram avaliação ruim, entre 351 cursos analisados. Em Minas, todas as faculdades listadas são particulares.
As penalidades atingirão cursos que receberam conceitos 1 e 2, as notas mais baixas atribuídas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). As medidas incluem redução ou suspensão de vagas, além do bloqueio ao acesso ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e a outros programas federais.
O balanço foi divulgado nesta segunda-feira (19), em Brasília. Segundo o MEC, a iniciativa busca garantir a qualidade da formação médica e proteger a população que será atendida pelos futuros profissionais.
Curso de Medicina
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Instituições de Minas com desempenho insuficiente
Confira as instituições mineiras que tiveram notas consideradas insatisfatórias no Enamed:
Faculdade de Medicina de Barbacena – Barbacena – conceito 2
Centro Universitário Presidente Antônio Carlos – Juiz de Fora – conceito 1
Universidade Vale do Rio Doce (Univale) – Governador Valadares – conceito 2
Universidade de Itaúna – Itaúna – conceito 2
Faculdade da Saúde e Ecologia Humana (Faseh) – Vespasiano – conceito 1
Centro Universitário Faminas – Muriaé – conceito 2
Centro Universitário de Manhuaçu (Unifacig) – Manhuaçu – conceito 2
Faculdade Dinâmica do Vale do Piranga – Ponte Nova – conceito 2
Centro Universitário Univértix – Matipó – conceito 2
Faculdade Atenas – Passos – conceito 2
Faculdade Atenas – Sete Lagoas – conceito 2
De acordo com o MEC, cursos com conceito 1 terão suspensão total do ingresso de novos alunos. Já os que receberam conceito 2 sofrerão redução no número de vagas. As instituições terão prazo para apresentar defesa, e o ministério afirma que a meta é corrigir problemas e elevar a qualidade do ensino médico no país, e não apenas punir.
Posicionamento da Faminas sobre o resultado
Entre as 12 instituições mineiras com desempenho insatisfatório no Enamed, a Faminas respondeu ao g1 nesta terça-feira (20). Em nota, o Centro Universitário Faminas — unidades de Muriaé e Belo Horizonte — afirmou acompanhar a divulgação dos dados “com responsabilidade institucional, rigor técnico e serenidade” e ressaltou que o exame avalia apenas uma amostra de estudantes concluintes.
A instituição destacou que seus cursos de Medicina têm reconhecimento do Ministério da Educação com conceito máximo em avaliações presenciais e mencionou resultados recentes do Enade. Informou ainda que o Inep comunicou, em 19 de janeiro, a identificação de uma inconsistência técnica na base de dados do Enamed, o que levou à retirada temporária das informações para revisão. A Faminas declarou ter adotado medidas administrativas e aguarda a consolidação oficial dos resultados.
O g1 informou ter procurado todas as instituições mineiras listadas entre as de pior desempenho no exame.
Reação de entidade que representa instituições privadas
Diante da lista nacional de universidades com conceitos insatisfatórios, a Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup) afirmou que acompanha a divulgação dos resultados do Enamed.
Segundo a entidade, análises preliminares realizadas por instituições de diferentes regiões do país indicam divergências entre os dados apresentados como insumos em dezembro e os números divulgados agora.
Desempenho varia conforme o tipo de instituição
A análise nacional por tipo de instituição mostra diferenças acentuadas nos resultados. As piores avaliações, concentradas nas faixas 1 e 2, recaem principalmente sobre universidades públicas municipais, onde 87,5% dos cursos de Medicina ficaram com os conceitos mais baixos.
Também apresentaram desempenho fraco as instituições privadas com fins lucrativos, com 58,4% dos cursos nas faixas 1 e 2, e as chamadas instituições especiais, que somaram 54,6% nesses mesmos conceitos. Entre as privadas sem fins lucrativos, cerca de um terço dos cursos foi considerado insuficiente.
Na outra ponta, os melhores resultados (conceitos 4 e 5) se concentram nas universidades públicas federais e estaduais. Entre as federais, 87,6% dos cursos alcançaram as notas mais altas; nas estaduais, o índice foi de 84,7%.