Paracetamol na gravidez não aumenta risco de autismo, TDAH ou deficiência intelectual, aponta revisão

Análise de 43 estudos com centenas de milhares de crianças, publicada na The Lancet, indica que uso de Tylenol na gestação é seguro quando orientado por médico e não está ligado a prejuízos no desenvolvimento neurológico

21/01/2026 às 13:47 por Redação Plox

Pesquisadores da Universidade City St George's, na Inglaterra, concluíram que o uso de Tylenol durante a gestação não aumenta o risco de autismo, TDAH (transtorno do déficit de atenção com hiperatividade) ou deficiência intelectual em crianças. A revisão, publicada na revista The Lancet Obstetrics, Gynaecology & Women's Health, analisou 43 estudos considerados de alta qualidade e traz um contraponto a alertas recentes sobre o medicamento.

A pesquisa foi motivada após alegações de que o medicamento poderia interferir no desenvolvimento cerebral infantil

A pesquisa foi motivada após alegações de que o medicamento poderia interferir no desenvolvimento cerebral infantil

Foto: Pixabay


Estudo analisou mais de 260 mil crianças

A investigação reuniu dados de 262.852 crianças avaliadas para autismo, 335.255 para TDAH e 406.681 para deficiência intelectual. Os cientistas priorizaram pesquisas que comparavam irmãos nascidos da mesma mãe, em que apenas um deles foi exposto ao paracetamol durante a gravidez, estratégia que reduz a influência de fatores genéticos e ambientais compartilhados.

De acordo com os autores, cada estudo foi avaliado por meio da ferramenta QUIPS (Quality In Prognosis Studies), que examina diferentes aspectos do desenho de pesquisa para estimar o risco de viés. A ausência de associação entre o uso de paracetamol na gestação e autismo, TDAH ou deficiência intelectual se manteve mesmo quando a análise foi restrita a trabalhos classificados como de baixo risco de viés, portanto de maior qualidade metodológica.

Resultados semelhantes também foram observados em estudos que acompanharam as crianças por mais de cinco anos, reforçando a consistência das conclusões apresentadas.

Preocupações surgiram após alegações sobre o medicamento

O estudo foi motivado por preocupações que ganharam força em setembro do ano passado, quando passaram a circular alegações de que a exposição pré-natal ao Tylenol poderia interferir no desenvolvimento cerebral infantil. A discussão gerou dúvidas entre gestantes e profissionais de saúde sobre a segurança do uso de paracetamol durante a gravidez.

Nossos achados sugerem que as ligações anteriormente relatadas provavelmente são explicadas por predisposição genética ou outros fatores maternos, como febre ou dor subjacente, em vez de um efeito direto do paracetamol em si,

Asma Khalil

A professora de Obstetrícia e Medicina Fetal Materna, que liderou o estudo, afirmou ainda que o paracetamol permanece como opção segura na gestação quando utilizado conforme as orientações, ressaltando seu papel como medicamento de primeira linha para controle de dor e febre em grávidas.

Limitações e cuidados ainda necessários

Os autores chamam atenção para algumas limitações da análise. Não houve dados consistentes suficientes para avaliar se eventuais riscos variariam conforme o trimestre de exposição, o sexo do bebê ou a frequência de uso do medicamento. Poucos dos estudos comparativos entre irmãos incluídos relataram esses detalhes de forma padronizada, o que impede conclusões mais específicas sobre esses recortes.

Apesar disso, os pesquisadores destacam que as evidências atuais apoiam o uso do paracetamol como uma opção segura durante a gestação, desde que tomado de acordo com as instruções médicas. Eles também lembram que evitar o tratamento de dor intensa ou febre elevada pode trazer riscos conhecidos para a saúde da mãe e do bebê, especialmente quando a febre não é adequadamente controlada.

Com os novos dados, a expectativa dos especialistas é contribuir para reduzir a insegurança de gestantes em relação ao uso de Tylenol e de outros medicamentos à base de paracetamol, preservando ao mesmo tempo a importância do acompanhamento médico individualizado em qualquer decisão terapêutica durante a gravidez.

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