Brasil não perde competitividade com nova tarifa dos EUA, afirma Alckmin

Vice-presidente diz que, em parte dos produtos afetados, as cobranças passam a valer de forma semelhante para outros países; governo negocia para reduzir sobretaxas e ampliar exceções

21/02/2026 às 10:52 por Redação Plox

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que o Brasil não perde competitividade em parte dos produtos atingidos pelas novas tarifas dos Estados Unidos. Segundo ele, em alguns casos, as novas cobranças passam a valer de forma semelhante para outros países, o que reduziria o risco de desvantagem para as exportações brasileiras. As declarações ocorrem em meio às negociações do governo para reduzir sobretaxas, ampliar exceções, preservar empregos e conter impactos sobre a pauta exportadora.

Alckmin vê efeito “horizontal” em parte das novas tarifas

De acordo com informações da Agência Brasil, Alckmin mencionou exemplos de itens que teriam deixado uma tarifa mais alta para se enquadrar em alíquotas associadas à Seção 232, mecanismo usado pelos Estados Unidos para aplicar tarifas de forma ampla. Nesses casos, ele argumenta que o Brasil não ficaria em desvantagem em relação a outros exportadores, já que a regra passaria a valer “para o mundo todo”.

O vice-presidente também relacionou o tema às negociações entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, destacando a busca por novos avanços na agenda comercial entre os dois países. As tratativas envolvem tanto a revisão de sobretaxas quanto a ampliação de exceções para determinados produtos brasileiros.

O vice-presidente Geraldo Alckmin

O vice-presidente Geraldo Alckmin

Foto: Cadu Gomes/VPR


Governo monitora alcance do “tarifaço”

Paralelamente, o governo brasileiro atualiza o diagnóstico sobre o alcance do chamado “tarifaço” na exportação para os Estados Unidos. Em novembro de 2025, Alckmin informou que, após ampliações de isenções e retirada de itens da lista, cerca de 22% das exportações brasileiras aos EUA seguiriam sujeitas a sobretaxas. O percentual, segundo dados citados pelo próprio governo, é menor do que o registrado no início do processo.

Posicionamento oficial do MDIC

Em nota e relatos divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Alckmin classificou o “tarifaço” como injustificado e destacou que a orientação do presidente Lula é manter negociação e diálogo, ao mesmo tempo em que o governo busca apoiar empresas, emprego e setor produtivo e reverter as medidas.

O MDIC afirma ainda que houve exclusões relevantes de itens ao longo das conversas com o governo norte-americano, embora parte das exportações brasileiras siga sujeita a tarifas adicionais e a regimes específicos, como o da Seção 232.

Competitividade sob pressão

Para as empresas exportadoras, a avaliação sobre se o Brasil perde ou não competitividade depende diretamente do tipo de tarifa aplicada. Quando a tarifa é generalizada e atinge vários países, o efeito tende a ser mais “horizontal”, diminuindo a chance de o produto brasileiro ser substituído apenas por diferença de alíquota.

quando a sobretaxa é específica ou mais alta para o Brasil, o risco de perda de mercado aumenta, com impacto potencial sobre contratos, margens e empregos em cadeias exportadoras de alimentos, manufaturados e segmentos industriais.

Na prática, os setores produtivos precisam acompanhar com atenção: as listas de exceções, as datas de vigência das decisões e a possibilidade de reembolso ou efeitos retroativos, quando houver mudanças. Esses pontos já apareceram em atualizações divulgadas pelo governo em 2025.

Próximos passos nas negociações com os EUA

O governo brasileiro tende a manter uma estratégia em duas frentes. De um lado, aposta em negociação diplomática e técnica para ampliar exceções e reduzir alíquotas remanescentes. De outro, discute medidas internas de mitigação, com foco em preservar a produção e os empregos nos setores mais expostos às tarifas.

Como o tema é dinâmico e depende de decisões do governo dos Estados Unidos e de novas rodadas de negociação, percentuais e listas de produtos ainda podem mudar. A expectativa é que novos comunicados oficiais atualizem o impacto das medidas sobre a competitividade do Brasil e sobre o alcance das tarifas na relação comercial bilateral.

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