Deputada aciona MPF e TCE-MG por suspeita de corrupção na Copasa e pede suspensão da privatização
Bella Gonçalves (PSOL) solicita apuração de possíveis irregularidades, como conflito de interesses, vantagens indevidas e uso de informação privilegiada, além de auditorias e fiscalização de documentos em etapas do processo em debate na ALMG
21/02/2026 às 07:10por Redação Plox
21/02/2026 às 07:10
— por Redação Plox
Compartilhe a notícia:
A deputada estadual Bella Gonçalves (PSOL) acionou o Ministério Público Federal (MPF) e o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) por suspeitas de irregularidades ligadas à privatização da Copasa. Nos pedidos encaminhados aos órgãos de controle, ela solicita a apuração de possíveis conflitos de interesse e a adoção de medidas de fiscalização, com requerimento de documentos, auditorias e, em pontos específicos, a suspensão de etapas do processo de desestatização enquanto as denúncias são analisadas.
Copasa entra no alvo dos deputados para pagar conta do estado com a União
Foto: Copasa
Denúncia questiona conflitos de interesse e uso de informação privilegiada
De acordo com relato publicado por O Tempo, a parlamentar protocolou denúncia no MPF e representação no TCE-MG contra o processo de privatização conduzido pelo governo de Minas. Ela levanta suspeitas sobre possíveis vantagens indevidas, uso de informações privilegiadas no mercado (insider trading) e reuniões e movimentações que, em sua avaliação, poderiam favorecer grupos privados interessados na compra da companhia.
O caso ocorre em meio à tramitação, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), do PL 4.380/25, que autoriza a privatização da Copasa. Em dezembro de 2025, a ALMG informou que o projeto estava pronto para voltar ao Plenário, em 1º turno, após análise de emendas na Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária (FFO).
Controvérsias recentes ampliam pressão sobre Copasa
Paralelamente à ofensiva nos órgãos de controle, outra frente de questionamentos envolvendo a companhia ganhou força no fim de novembro de 2025. O TCE-MG deu prazo para o presidente da Copasa, Fernando Passalio, explicar a contratação de uma consultoria para monitoramento de autoridades durante o debate da privatização, contrato que opositores passaram a classificar como uma forma de “espionagem”.
Esse episódio adiciona pressão institucional sobre a empresa e o governo estadual, ampliando o escrutínio sobre contratos e serviços ligados ao processo de desestatização.
Posicionamentos oficiais e andamento da privatização
Em nota reproduzida por O Tempo, a Copasa afirmou manter compromisso com ética e interesse público ao comentar a cobrança feita pelo TCE-MG sobre o contrato de monitoramento.
No Legislativo, a ALMG registra publicamente pronunciamentos e a tramitação do PL 4.380/25, indicando que o projeto segue em discussão interna, com passagem por comissões e pelo Plenário, eixo central que viabiliza — ou não — a privatização da Copasa.
Até a manhã de 21/02/2026, não havia, nas fontes oficiais consultadas, confirmação pública de decisão final do MPF ou do TCE-MG sobre os pedidos específicos de suspensão do processo de privatização. O desfecho das representações e eventuais medidas cautelares seguem, portanto, como informação ainda em apuração.
Possíveis impactos para população, governo e estatal
Para a população, o debate sobre a privatização da Copasa é sensível por envolver serviços de água e esgoto, além de influenciar regras de investimento e a política tarifária. Mesmo antes de qualquer alteração no controle da empresa, a disputa política e jurídica pode afetar o ritmo de votação e o desenho do modelo de desestatização.
No âmbito do processo de privatização, as representações apresentadas ao MPF e ao TCE-MG podem resultar em pedidos de documentos, auditorias e recomendações. Dependendo do conteúdo das apurações, esses movimentos podem gerar questionamentos formais capazes de atrasar ou modificar etapas planejadas pelo governo.
Para a Copasa e o Executivo mineiro, o caso da consultoria de monitoramento cobrada pelo TCE-MG se soma às suspeitas levantadas pela deputada, ampliando o grau de vigilância institucional sobre contratos, consultorias e procedimentos vinculados à venda da companhia.
O que observar nos próximos desdobramentos
Em relação ao MPF, a expectativa é acompanhar se a denúncia será convertida em procedimento formal, com definição de escopo, requisição de documentos ou adoção de diligências, informação que ainda não está detalhada em fontes abertas.
No TCE-MG, devem ser monitoradas as decisões sobre a representação relacionada à privatização e sobre o contrato de monitoramento de autoridades, incluindo possíveis determinações, auditorias e prazos adicionais.
Na ALMG, o foco permanece na pauta do Plenário e no andamento do PL 4.380/25, já que a tramitação legislativa é o elemento central que pode confirmar, alterar ou barrar o atual modelo de privatização da Copasa.