Trump assina ordem que institui tarifa global adicional de 10% sobre importações

Proclamação prevê vigência a partir de 24 de fevereiro de 2026, duração de 150 dias e lista de exceções; medida usa a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974 após decisão da Suprema Corte derrubar parte do “tarifaço” anterior.

21/02/2026 às 10:29 por Redação Plox

O governo dos Estados Unidos instituiu uma tarifa global adicional de 10% sobre importações, com duração prevista de 150 dias. A medida foi formalizada por meio de uma proclamação assinada pelo presidente Donald Trump e passa a valer em 24 de fevereiro de 2026, segundo o texto divulgado pela Casa Branca.

A nova sobretaxa surge após decisão da Suprema Corte que derrubou parte do “tarifaço” anterior. Em resposta, a Casa Branca recorreu à Seção 122 da Lei de Comércio de 1974 como base legal para manter uma elevação ampla das alíquotas de importação.

Donald Trump

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Foto: Isac Nóbrega/PR


Tarifa de 10% atinge “todos os artigos importados”, com exceções

De acordo com a proclamação, a regra geral estabelece que “todos os artigos importados” para os EUA estarão sujeitos a uma tarifa adicional de 10% (ad valorem), salvo os casos listados em anexos específicos. O próprio ato fixa o início da vigência para 24 de fevereiro de 2026.

A cobertura de veículos internacionais, incluindo a Associated Press, aponta que a assinatura ocorre em um contexto de reação do governo Trump à limitação, pela Suprema Corte, do uso de poderes emergenciais para impor tarifas amplas. Diante desse cenário, o governo buscou outro instrumento jurídico para sustentar uma elevação generalizada de tarifas.

Justificativa oficial e setores excluídos

Na proclamação, a Casa Branca argumenta que a medida tem como objetivo enfrentar “problemas fundamentais” nos pagamentos internacionais e um déficit considerado “grande e sério” no balanço de pagamentos, apoiando-se em avaliações de assessores e em dados econômicos, como números de déficit comercial de bens.

O documento detalha também as categorias de produtos excluídos da sobretaxa de 10%. Entre elas, estão determinados minerais críticos, itens de energia e derivados, alguns fertilizantes e recursos naturais, produtos agrícolas (como carne bovina, tomates e laranjas), fármacos e insumos farmacêuticos, certos eletrônicos, veículos e autopeças, além de mercadorias já submetidas a restrições adicionais sob a Seção 232, relacionada a segurança nacional.

Impactos para o Brasil e incertezas

Para o Brasil, a tarifa global de 10% tende a afetar de forma mais direta setores exportadores com forte presença no mercado norte-americano e que não estejam contemplados nas listas de exceção. Na prática, a sobretaxa pode reduzir a competitividade de produtos brasileiros frente a fabricantes locais ou a concorrentes de países que tenham cadeias produtivas mais consolidadas dentro dos EUA.

Empresas exportadoras podem ser pressionadas a absorver parte do custo adicional para preservar contratos, comprimindo margens. Além disso, a natureza temporária da medida – limitada inicialmente a 150 dias – adiciona incerteza a embarques e negociações de curto prazo, já que o quadro pode mudar em função de decisões judiciais, de desdobramentos políticos ou de novas rodadas de tarifas.

Até o momento da apuração, não havia, em fontes oficiais brasileiras, como Itamaraty ou MDIC, uma lista consolidada de setores nacionais mais atingidos, nem estimativas formalizadas de impacto em valores de exportação.

Próximos passos e monitoramento

A implementação da tarifa global de 10% deverá ser acompanhada de perto a partir de 24 de fevereiro de 2026, incluindo possíveis orientações operacionais por parte da autoridade alfandegária dos EUA (CBP) e a divulgação de detalhes dos anexos técnicos mencionados na proclamação.

No plano externo, a expectativa é de monitorar reações diplomáticas e comerciais de parceiros como Brasil, União Europeia, China e outros, além de eventuais contestações internas nos EUA, já que o tema tarifário voltou ao centro do debate após a intervenção da Suprema Corte.

No Brasil, a tendência é que governo e entidades setoriais avaliem caminhos para mitigar efeitos negativos, como negociação bilateral, redirecionamento de mercados, revisão de preços e contratos e possíveis pleitos por exceções específicas à nova sobretaxa.

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