Jatos ligados a Daniel Vorcaro pousaram ou decolaram ao menos 28 vezes em paraísos fiscais, aponta levantamento
Segundo O TEMPO, três aeronaves registradas em nome da Viking Participações tiveram operações em destinos como Mônaco, Dubai e Genebra ou Zurique, a partir de cruzamento de dados da Anac e rastreamento do ADS-B Exchange.
Três jatos executivos registrados em nome de uma empresa ligada ao empresário Daniel Vorcaro realizaram ao menos 28 pousos ou decolagens em destinos apontados como paraísos fiscais, segundo levantamento publicado nesta sexta-feira (20) pelo jornal O TEMPO, em Brasília. As aeronaves voaram para Mônaco, Dubai (Emirados Árabes Unidos) e para Genebra ou Zurique (Suíça), rotas que ganham peso político por ocorrerem no contexto do caso Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025, e em meio a discussões no Congresso sobre diligências internacionais relacionadas às investigações.
Rotas e destinos sob escrutínio
De acordo com o levantamento, jatos ligados a Vorcaro pousaram ou decolaram ao menos 28 vezes em destinos classificados como paraísos fiscais. No recorte analisado, teriam sido 11 movimentos envolvendo Mônaco, oito envolvendo Genebra ou Zurique e nove envolvendo Dubai, conforme os dados citados por O TEMPO.
Segundo a reportagem, as informações foram obtidas a partir do cruzamento de registros da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) com dados de rastreamento de aeronaves do ADS-B Exchange. Os três jatos estariam registrados em nome da Viking Participações, holding com sede em Belo Horizonte (MG).
Jato pertencente a empresa de Daniel Vorcaro que foi apreendido na Operação Compliance Zero
Foto: Polícia Federal/Divulgação
A maior parte das saídas internacionais teria partido dos aeroportos de Confins (MG) e Guarulhos (SP), ainda segundo o material. O TEMPO também relata que Daniel Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025, no aeroporto de Guarulhos, quando embarcaria em uma das aeronaves.
Liqidação do Banco Master e operação policial
No dia seguinte à prisão, em 18 de novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, conforme já noticiado por O TEMPO. A CNN Brasil registrou que a autoridade monetária fundamentou a decisão em “grave crise de liquidez” e “graves violações” a normas do Sistema Financeiro Nacional, em nota divulgada à época.
A reportagem de O TEMPO sobre os voos também informa que a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, foi deflagrada na manhã seguinte à prisão de Vorcaro e que, no mesmo contexto, houve apreensões e recolhimento de uma das aeronaves. Detalhes adicionais sobre a operação e sobre eventuais novas manifestações oficiais específicas a respeito das rotas ainda dependem de confirmação em documentos ou declarações públicas que tratem diretamente desses trajetos.
Repercussão em MG, SP e no Congresso
Em Minas Gerais e São Paulo, onde estariam concentradas as bases de saída das aeronaves, o tema tende a repercutir politicamente por envolver um empresário com estrutura societária em Belo Horizonte e intensa movimentação aérea a partir de Confins e Guarulhos, de acordo com o levantamento.
No plano nacional, a divulgação de rotas para destinos associados a baixa tributação e sigilo financeiro reforça questionamentos sobre transparência patrimonial, rastreabilidade de ativos e cooperação internacional em investigações. O TEMPO relata que congressistas discutem a possibilidade de uma viagem oficial a Dubai para coletar documentos e informações relacionados às apurações, o que pode desaguar em desdobramentos como criação ou fortalecimento de CPMI e pedidos formais de cooperação com outros países.
Próximas etapas e pontos de atenção
Entre os próximos passos apontados estão a checagem documental, por meio de registros públicos da Anac e de eventuais decisões judiciais, para confirmar a titularidade atual das aeronaves, possíveis restrições como bloqueios ou apreensões e a cadeia societária da empresa proprietária.
Também é esperado que se cobre posicionamento da defesa de Daniel Vorcaro e de órgãos envolvidos, como Polícia Federal e Banco Central, além de eventuais comissões parlamentares, sobre a relevância investigativa dessas rotas e sobre a motivação das viagens.
No campo político, o andamento de uma eventual viagem oficial a Dubai — incluindo requerimentos, agenda, custos, objetivos e resultados — e a apresentação de pedidos formais de cooperação internacional devem orientar os próximos capítulos das apurações em torno dos voos e do caso Banco Master.
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