Novo remédio contra Alzheimer chega ao Brasil em junho e pode custar mais de R$ 11 mil por mês

Lecanemabe foi aprovado pela Anvisa em dezembro e é indicado para fases iniciais, com foco em frear a progressão da doença.

21/04/2026 às 10:47 por Redação Plox

O lecanemabe, novo medicamento contra o Alzheimer, deve chegar ao mercado brasileiro em junho. O remédio foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em dezembro.


Para um mês de tratamento, o preço do medicamento, sem taxas e impostos, será de R$ 8.108,94. Com a aplicação de uma alíquota de 18%, comum na maioria dos Estados, o valor chega a R$ 11.075,62.

Lecanemabe é um remédio biológico que foi aprovado pela Anvisa em dezembro.

Lecanemabe é um remédio biológico que foi aprovado pela Anvisa em dezembro.

Foto: Divulgação/ Eisai.

Como o lecanemabe atua no organismo

O lecanemabe é um medicamento biológico, produzido a partir de organismos vivos, como células e tecidos, e desenvolvido para reconhecer alvos específicos dentro do organismo. No tratamento do Alzheimer, ele atua sobre as protofibrilas de beta-amiloide, formas tóxicas da proteína que se acumulam no cérebro e estão associadas à morte de neurônios.

Duplo mecanismo e resultados em estudo clínico

Segundo Tatiana Branco, diretora da área médica da Biogen no Brasil, farmacêutica responsável pelo produto, o principal diferencial do lecanemabe é o duplo mecanismo de ação: além de remover a porção tóxica da beta-amiloide já presente no cérebro, o medicamento também reduz a formação de novas placas.

A gente também observou, no estudo clínico, uma redução de 27% no declínio e no comprometimento clínico dos pacientes que usaram o medicamento ao longo de 18 meses

Tatiana Branco

Os resultados foram publicados no periódico New England Journal of Medicine. Ao todo, 1.795 pessoas participaram da análise, realizada de forma multicêntrica na América do Norte, Europa e Ásia.

Uso indicado e importância do diagnóstico precoce

Rodrigo Nascimento, diretor médico da Eisai no Brasil, empresa também responsável pelo produto, pondera que o lecanemabe é um medicamento voltado a evitar a progressão da doença e não tem como finalidade reverter perdas já instaladas do ponto de vista cognitivo.


De acordo com ele, a indicação é que o remédio seja usado em fases iniciais do Alzheimer, como no comprometimento cognitivo leve e na demência leve ligada ao quadro. Nesse cenário, o diagnóstico precoce é apontado como essencial para que os pacientes possam obter o melhor benefício possível com o tratamento.

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