Lula fala em reciprocidade após EUA pedirem saída de delegado da PF ligado a caso Ramagem
Durante viagem à Alemanha, presidente afirmou que pedido do governo Trump pode ser “ingerência” e citou possível reação caso haja “abuso americano”.
21/04/2026 às 09:50por Redação Plox
21/04/2026 às 09:50
— por Redação Plox
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil pode adotar a reciprocidade após o governo de Donald Trump pedir a saída, do território dos Estados Unidos, de um delegado da Polícia Federal envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem. A declaração foi dada nesta terça-feira (21), a jornalistas, durante viagem à Alemanha.
Não podemos aceitar essa ingerência, afirmou o presidente.
Foto: Reprodução / PR.
Não sei o que aconteceu. Fui informado hoje de manhã. Acho que, se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o deles no Brasil. Não tem conversa
Lula
Na sequência, o presidente disse que o governo brasileiro defende que os procedimentos ocorram “da forma mais correta possível”, mas classificou a situação como ingerência e abuso de autoridade por parte de “alguns personagens americanos” em relação ao Brasil.
Pedido de saída foi anunciado em postagem oficial
O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos informou, na segunda-feira (20), que pediu a saída de um “funcionário brasileiro” do país. Embora a postagem não cite nomes, o texto indica que se trata de um delegado da Polícia Federal envolvido na prisão de Ramagem.
A manifestação foi publicada na rede social X. Na mensagem, o órgão afirmou que o servidor teria tentado contornar mecanismos formais de cooperação jurídica e declarou que “nenhum estrangeiro pode manipular” o sistema de imigração para driblar pedidos formais de extradição e “estender perseguições políticas” ao território dos Estados Unidos.
Prisão, condenação e pedido de extradição
Ramagem foi solto na última quarta-feira (15), após ficar dois dias preso na Flórida. Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), ele foi condenado no ano passado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão na ação penal relacionada à trama golpista.
Depois da condenação, Ramagem perdeu o mandato, deixou o Brasil para evitar o cumprimento da pena e passou a morar nos Estados Unidos. Em dezembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes determinou o envio de um pedido formal de extradição aos EUA, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Neste mês, a Polícia Federal informou que a prisão de Ramagem pelo serviço de imigração dos Estados Unidos ocorreu como resultado de cooperação policial internacional entre os dois países. Segundo a corporação, ele foi detido em Orlando e é considerado foragido da Justiça brasileira após condenação por crimes como organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.