Em Portugal, Lula ironiza Trump e cita crise com EUA após pedido de saída de delegado da PF

Presidente defendeu reforma no Conselho de Segurança da ONU, criticou entraves ao acordo Mercosul–UE e disse que pode reagir por reciprocidade diante da acusação americana contra Marcelo Ivo.

21/04/2026 às 18:37 por Redação Plox

Em agenda oficial em Portugal nesta terça-feira (21), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recorreu ao sarcasmo para comentar declarações recentes do presidente norte-americano, Donald Trump. Ao lado do primeiro-ministro português, Luís Montenegro, Lula ironizou a afirmação de que Trump teria encerrado oito guerras e sugeriu, em tom de deboche, que o americano recebesse o “Prêmio Nobel da Paz”.

Lula segue com 50% de desaprovação (

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Foto: Gustavo Moreno / STF)


Ironia em Portugal e crítica ao atual modelo de paz

No encontro em solo europeu, Lula aproveitou a declaração para reforçar a defesa de uma reforma urgente no Conselho de Segurança da ONU. Segundo o presidente, a estrutura atual não consegue conter o número recorde de conflitos armados no mundo e a paz global exigiria soluções multilaterais consistentes, e não apenas anúncios unilaterais de líderes internacionais.

Crise diplomática envolve pedido dos EUA e ameaça de reciprocidade

Apesar do tom irônico ao falar de Trump, a agenda internacional foi atravessada por uma crise diplomática. Lula elevou o tom ao comentar o pedido dos Estados Unidos para que o delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo deixe o país. Ivo foi responsável pelo monitoramento que levou à prisão do ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem, em solo americano. O governo dos EUA alega tentativa de “manipulação do sistema migratório”, acusação que o Brasil classifica como injustificada.

Lula prometeu reagir com base no princípio da reciprocidade.

Se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com os deles no Brasil. Não tem conversa

Lula

Nos bastidores, a possibilidade de expulsar agentes norte-americanos que atuam no território brasileiro já é tratada como uma tendência dentro do Itamaraty, caso Washington não apresente provas detalhadas das supostas irregularidades atribuídas ao delegado brasileiro.

Mercosul e União Europeia: Lula critica barreiras no Parlamento Europeu

Além das tensões diplomáticas, Lula também criticou o Parlamento Europeu por iniciativas de parlamentares que tentam barrar judicialmente o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia. O tratado tem previsão de entrada em vigor de forma provisória a partir de 1º de maio, mas enfrenta resistência, sobretudo de setores agrícolas europeus.

O presidente defendeu que o acordo é importante para o equilíbrio econômico entre os blocos e que barreiras ideológicas não deveriam impedir o avanço comercial. Ao lado de Luís Montenegro, Lula buscou apoio de Portugal para manter o cronograma do acordo, apesar das pressões internas no bloco europeu.

Polícia Federal nomeia substituta e aguarda retorno de delegado

Enquanto Lula cumpria agenda em Portugal, a Polícia Federal no Brasil iniciou medidas práticas relacionadas ao episódio. A corporação nomeou uma substituta para a função de oficial de ligação com o ICE (Imigração e Alfândega dos EUA), após a polêmica saída de Marcelo Ivo. O delegado, apontado como pivô da crise, tem previsão de desembarcar no Brasil ainda hoje, depois de ter sido convidado a deixar Washington de forma abrupta.

Na PF, o ambiente é descrito como de indignação. Agentes federais consideram a ação dos EUA um desrespeito ao memorando de cooperação policial entre os dois países. Já as manifestações públicas da embaixada americana sobre “perseguições políticas” são vistas pelo governo brasileiro como interferência indevida em investigações judiciais internas.

Itamaraty aguarda esclarecimentos e Planalto avalia decreto

O cenário, segundo o texto, é de vigilância diplomática. O Itamaraty aguarda esclarecimentos formais que vão além de postagens em redes sociais por autoridades americanas. Se as explicações não forem consideradas satisfatórias, o Palácio do Planalto pode assinar ainda nesta semana um decreto para expulsão de agentes dos EUA no Brasil. Lula, de acordo com o relato, indicou que a soberania brasileira guiará os próximos passos, independentemente de pressões do governo Trump.

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