PF aponta Deolane como ‘conta de passagem’ em esquema ligado a MC Ryan SP e bets ilegais
Investigadores citam indícios de ocultação e lavagem de ativos, com movimentações que teriam alcançado R$ 1,6 bilhão e repasses de R$ 430 mil atribuídos ao funkeiro
21/04/2026 às 10:37por Redação Plox
21/04/2026 às 10:37
— por Redação Plox
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A influenciadora Deolane Bezerra, alvo da Operação Integration sob suspeita de lavar dinheiro de rifas e bets ilegais, é apontada por investigadores como uma das operadoras de um esquema de ocultação e branqueamento de ativos ligado ao crime organizado, sob liderança de MC Ryan SP. O funkeiro entrou na mira da Polícia Federal na Operação Narco Fluxo e foi preso na última quarta-feira (15).
Investigadores afirmam ter reunido indícios suficientes para detalhar a participação da influenciadora no esquema.
Foto: Reprodução / Redes sociais.
PF diz ter indícios sobre o papel de Deolane no esquema
Investigadores afirmam ter reunido indícios suficientes para detalhar a participação de Deolane no esquema, no qual ela teria atuado como “conta de passagem” para a movimentação de recursos que, segundo a Polícia Federal, alcançou R$ 1,6 bilhão com plataformas de apostas ilegais.
Até a publicação do texto original, o Estadão informou que tentou contato com a defesa de Deolane sobre a investigação, mas não obteve retorno. O espaço foi informado como aberto.
Defesa de MC Ryan contesta suspeitas
todos os valores que transitam nas contas do funkeiro possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos
Defesa de MC Ryan
A reportagem do Estadão afirmou ter tido acesso ao relatório da PF na Operação Narco Fluxo. Segundo os indícios reunidos até aqui e que embasaram a operação, a Polícia Federal atribui a Deolane o recebimento de R$ 430 mil entre 14 de maio de 2025 e 30 de junho de 2025, em transferências feitas por MC Ryan.
PF aponta vínculo financeiro e suspeita de mistura de receitas
Para a PF, a transação é tratada como evidência de vínculo financeiro direto entre os dois investigados e indicaria que o fluxo de caixa da produtora de Ryan — sob suspeita de misturar receitas de shows com recursos de apostas e rifas — também abasteceria contas de aliados estratégicos que enfrentam apurações semelhantes por lavagem de dinheiro e associação criminosa.
Na avaliação dos federais, as transferências fariam parte de uma engrenagem criminosa liderada por Ryan voltada à lavagem de dinheiro do crime organizado e do tráfico de drogas, incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Versão de Deolane: venda de veículo
Sobre os R$ 430 mil que teria recebido, Deolane afirmou nas redes sociais que o valor se refere à venda de um veículo a MC Ryan. Segundo a influenciadora, houve troca por um carro mais barato e o restante seria depositado em sua conta bancária. Ela reúne 22 milhões de seguidores no Instagram.
Movimentação de R$ 5,3 milhões e padrão de “conta de passagem”
A análise das movimentações financeiras de Deolane levou a Polícia Federal a apontar que ela teria operado com características de “conta de passagem”, com movimentação de R$ 5,3 milhões entre 14 de maio de 2025 e 30 de junho de 2025. De acordo com a corporação, isso significa que os valores entram na conta e são rapidamente transferidos a terceiros ou para outras contas, sem permanecer por muito tempo, dificultando o rastreamento e a identificação da origem do dinheiro.
No período analisado, segundo a PF, aportes da empresa de MC Ryan teriam se misturado a outros recursos, incluindo R$ 4,8 milhões provenientes da própria agência de publicidade da influenciadora. Para os investigadores, essa combinação dificultaria separar o que teria origem lícita do que é suspeito, e o destino do dinheiro indicaria um padrão de integração de capitais voltado a ativos de luxo e gestão de imagem.
Doação ao Instituto Neymar Jr. e gastos no setor automotivo
O relatório aponta que, em período coincidente ao recebimento dos valores atribuídos a Ryan, Deolane realizou uma transferência de R$ 1.165.000,00 para o Instituto Projeto Neymar Jr., além de pagamentos considerados vultosos a empresas do setor automotivo e de blindagem.
O Estadão informou ter pedido manifestação do Instituto Projeto Neymar Jr. sobre os valores, e que o espaço permanece aberto.
Relatório cita investigação por rifas digitais
O mesmo relatório de inteligência menciona que Deolane Bezerra já é investigada por crimes contra a economia popular e lavagem de dinheiro por meio de rifas digitais.
Segundo a Polícia Federal, a análise das movimentações reforçaria a suspeita de que recursos de origem ilícita circulariam entre pessoas físicas e jurídicas do grupo antes de serem integrados à economia formal.
Operação Integration teve investigações anuladas e caso foi federalizado
Em fevereiro, a Justiça Federal em Pernambuco anulou investigações e decisões ligadas à Operação Integration, que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro oriundo de jogos de azar via bets. À época, a apuração estava sob tutela da Polícia estadual, e a Justiça Federal assumiu a competência do caso.
Deflagrada em setembro de 2024, a Integration mira uma organização criminosa suspeita de explorar jogos ilegais e lavar dinheiro por meio de empresas de fachada. Conforme os autos citados no texto original, o grupo utilizaria empresas dos setores de eventos, publicidade, câmbio e seguros para movimentar recursos ilícitos por depósitos e transações bancárias.