Assessora da Primeira-Dama passa a auxiliar na redação de discursos do presidente Lula após comentário polêmico
Assessora de imprensa da primeira-dama para a contribuir com equipe após declaração sobre escravidão na África
Por Plox
21/07/2023 08h17 - Atualizado há cerca de 2 anos
Em uma iniciativa recente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou uma mudança estratégica na elaboração de seus discursos públicos. Cristina Charão, que atuava como assessora de comunicação da primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja, agora passa a colaborar diretamente na preparação e redação das falas do presidente.

Um Novo Desafio para Charão
Desde o início do mandato presidencial de Lula, em janeiro, Charão desempenhava o papel de assessora de imprensa de Janja. Com essa mudança, seu foco passa para a elaboração de discursos e declarações do presidente em ocasiões variadas, como eventos públicos, inaugurações e encontros com outras figuras políticas.
"A partir de hoje, deixo de responder pela assessoria de imprensa da Janja. Sigo trabalhando para o Gabinete Pessoal do Presidente, mas agora voltando a me dedicar à tarefa de colaborar com a preparação e redação de discursos e falas públicas", afirmou Charão.
Impacto da Fala de Lula sobre a Escravidão
A mudança na equipe surge um dia após Lula, durante uma visita a Cabo Verde, expressar gratidão à África "por tudo o que foi produzido pelos 350 anos de escravidão". Ao lado do presidente do país, José Maria Neves, o presidente brasileiro falou sobre a profunda influência africana na formação da cultura e do povo brasileiro.
Clarificações e Reações à Declaração
Apesar de questionada sobre a possibilidade da mudança ser uma resposta à controversa fala do presidente, a assessoria presidencial negou qualquer relação. Afirmou que a declaração de Lula tem um sentido de "compreensão simples para quem não tiver má vontade", indicando que a fala do presidente era um reconhecimento da dívida do Brasil com a África e uma homenagem à contribuição africana na formação social, cultural e demográfica do país.
Silvio Almeida, ministro dos Direitos Humanos, defendeu a posição do presidente, enfatizando que Lula expressava a ideia de que o Brasil deve sua gratidão à África, e que este entendimento é fundamental para o direito ao desenvolvimento na agenda de direitos humanos com o continente.
A Popularidade de Lula no Nordeste e Sua Relação com a África
Segundo o Ipec, Lula detém 63% das intenções de votos no Nordeste, e o PT governa quatro estados da região (Bahia, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte). Além disso, Lula é conhecido por seu longo histórico de ações pela igualdade racial e pela aproximação das relações do Brasil com a África, sendo bastante popular no continente.