Em 'fase final', investigação aponta padre como suspeito de abuso de menores
Frei fundador de projeto social é investigado por crimes sexuais e foi flagrado com imagens de menores no próprio celular; suspeito foi preso em SP, mas acabou sendo solto duas semanas depois
Por Plox
21/07/2023 07h13 - Atualizado há cerca de 2 anos
A apuração dos crimes de abuso sexual infantil atribuídos ao frei Elvécio de Jesus Carrara, preso anteriormente em São Paulo e suspeito de envolvimento com pedofilia em Minas Gerais, está em sua fase final, segundo confirmou a Polícia Civil de Minas Gerais à Itatiaia. Iniciada no final de março, após o recebimento da primeira denúncia oficial, a investigação avança para uma possível conclusão em breve.
Carrara, que foi liberado sob fiança em 17 de maio pelo Poder Judiciário, foi capturado em sua residência em São Paulo, em 3 de maio, durante a Operação Falso Profeta da Polícia Civil de Minas Gerais. A prisão foi motivada pela descoberta de material pornográfico envolvendo menores em seu aparelho celular.

Caso passa por múltiplas jurisdições
Carrara também está sendo investigado no estado de São Paulo. Durante a operação policial em Minas, foi encontrado em seu celular conteúdo pornográfico envolvendo menores de idade. A Polícia Civil de São Paulo, contatada para comentar sobre o caso, não emitiu nenhuma declaração até o momento. A defesa de Carrara, que também foi procurada, ainda não retornou o contato.
Histórico de supostos abusos
Elvécio de Jesus Carrara, que se encontra atualmente solto por meio de liberdade provisória, é suspeito de crimes como exploração sexual e estupro de vulnerável em São João del-Rei e São Paulo. A investigação aponta que o religioso liderava um projeto social voltado para jovens em situação de vulnerabilidade nessas duas cidades, supostamente utilizando essa iniciativa para se aproximar de possíveis vítimas.
Segundo a investigação, o projeto encaminhava jovens em situação de vulnerabilidade de Goiás para Minas Gerais, sob o pretexto de que estariam sob os cuidados do projeto. Algumas dessas crianças chegavam a residir no local, que atendia até 300 indivíduos. Os policiais apontam que Carrara teria usado dinheiro para atrair jovens do projeto em São João del-Rei a visitá-lo em São Paulo, com uma "tabela de gratificação" descoberta no celular de uma das vítimas detalhando pagamentos por certos comportamentos.
A defesa do sacerdote tentou um habeas corpus, mas desistiu após a revogação de sua prisão preventiva em São Paulo. Posteriormente, os advogados solicitaram que todas as informações e detalhes do caso fossem mantidos em sigilo, pedido que foi aceito pelo Judiciário.
Suspensão das atividades eclesiásticas
Um mês antes de ser preso, Carrara foi afastado de suas funções eclesiásticas. Segundo a Ordem dos Pregadores "Província Frei Bartolomeu de Las Casas", ele também estava proibido de entrar em contato com crianças e adolescentes desde o início de março. Enquanto isso, o projeto Nac Tales, fundado por ele, continua em pleno funcionamento.