Proibição da Anvisa pode afetar milhares de pacientes que utilizam maconha medicinal

A estimativa foi realizada por empresas que trabalham na importação de Cannabis in natura

Por Plox

21/07/2023 10h00 - Atualizado há cerca de 2 anos

O veto recente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) à importação de flor de maconha para propósitos medicinais tem potencial para afetar até cinco mil pacientes em todo o Brasil. Esses indivíduos recorrem ao uso desta planta no tratamento de enfermidades crônicas, incluindo epilepsia e fibromialgia.

 

 Foto: Terrance Barksdale/Pexels

A projeção do impacto desta medida foi realizada por empresas que trabalham com a importação da Cannabis in natura. Entre estas, a FlowerMed, que atende a cerca de 2.600 pacientes que importavam a planta, divulgou a estimativa em 20 de julho de 2023.

Preocupações com a proibição

Defensores do uso da planta para fins medicinais manifestam preocupação com possíveis consequências à saúde dos pacientes que vinham apresentando melhoras com o uso. A Anvisa justifica a proibição citando o alto grau de risco de desvio da substância para usos ilícitos e o cumprimento de tratados internacionais de controle de drogas, aos quais o Brasil é signatário. A agência destaca também que a combustão e inalação não são consideradas formas farmacêuticas e nem vias adequadas de administração de um produto destinado ao tratamento de saúde.

No entanto, a CEO da FlowerMed, Caroline Heinz, classifica a decisão da Anvisa como completamente irresponsável. Em suas palavras, "Deveriam regular o que não está funcionando, e não proibir." Heinz destaca que muitos pacientes utilizam a flor em conjunto com o óleo, cuja utilização permanece autorizada pela Anvisa, enquanto outros preferem apenas a forma vaporizada.

Casos de pacientes afetados

Luiza Helena Paiva Dias, 66 anos, diagnosticada com fibromialgia há seis anos, é um exemplo de paciente que encontrou alívio nas dores causadas pela doença reumatológica ao usar a flor de maconha medicinal. Ela já havia experimentado o óleo à base de canabidiol, mas não obteve o efeito desejado. Com o anúncio da proibição da importação da flor, Luiza relata que está assustada. Ela afirma que tinha obtido uma melhora de cerca de 80% nas dores desde que começou a usar a flor de maconha medicinal.

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