Recordes de calor: Julho de 2023 pode ser o mês mais quente já registrado, segundo a NASA

Ondas de calor, incêndios florestais e inundações no hemisfério norte têm colocado os pesquisadores da Nasa em alerta

Por Plox

21/07/2023 10h03 - Atualizado há cerca de 2 anos

A NASA, a renomada agência espacial dos Estados Unidos, divulgou um alerta na manhã de quinta-feira, 21 de julho de 2023, declarando que julho deste ano pode entrar para a história como o mês mais quente já registrado. As observações climáticas iniciais do mês sugerem temperaturas recordes em escala global, potencialmente sem paralelo nos últimos milênios.

Gavin Schmidt, climatólogo respeitado da NASA, trouxe à tona essa preocupante realidade durante um briefing com a imprensa. De acordo com as ferramentas de monitoramento da Universidade de Maine e da União Europeia, que amalgamam dados terrestres e de satélite para gerar estimativas iniciais, diversos recordes diários de temperatura já foram quebrados neste mês.

Apesar de leves divergências nas estimativas, a tendência global de calor extremo é incontestável e deverá ser confirmada nos relatórios mensais mais abrangentes que serão divulgados futuramente pelas agências americanas, Schmidt explica. "Estamos presenciando mudanças sem precedentes em todo o mundo. As ondas de calor que temos presenciado nos EUA, Europa e China estão quebrando recordes constantemente", afirmou Schmidt.

Getty Images/ Daniel Garrido

Adicionalmente, Schmidt argumentou que a atual onda de calor não pode ser explicada apenas pelo fenômeno climático conhecido como El Niño, relacionado ao aquecimento do Pacífico equatorial, que acabou de se manifestar. Segundo ele, estamos diante de um aquecimento global, sendo mais evidente nos oceanos. "Há vários meses estamos registrando temperaturas recordes na superfície do mar, inclusive fora das regiões tropicais", declarou o climatólogo.

Schmidt também chama a atenção para o fato de que a continuada emissão de gases de efeito estufa está aquecendo nosso planeta de forma contínua. Essa tendência corrente, ele alerta, faz com que 2023 tenha 50% de chances de ser o ano mais quente já registrado, com outros cientistas estimando essa probabilidade em 80%.

O especialista também prevê que o calor extremo deve persistir no próximo ano, "Prevemos que isso vai continuar, e acreditamos nisso porque seguimos introduzindo gases de efeito estufa na atmosfera", alertou.

Por fim, Schmidt adianta que 2024 deverá ser ainda mais quente. "Isso se deve ao evento do El Niño que está se formando agora e atingirá seu ápice no final deste ano", previu. Esta revelação ocorre em meio a uma onda de incêndios e graves alertas de saúde pública em diversas regiões do mundo, além dos novos recordes de temperatura.

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