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O Ministério da Saúde incorporou a edaravona ao Sistema Único de Saúde (SUS) para o tratamento de adultos com esclerose lateral amiotrófica (ELA) em estágio inicial. A medida consta na Portaria SCTIE/MS nº 40, de 20 de julho de 2026, publicada nesta terça-feira (21), e contempla pacientes nos graus 1 ou 2, com duração da doença de até dois anos.
SUS incorpora edaravona para tratar ELA em estágio inicial; oferta deve ocorrer em até 180 dias
Foto: Magnific
A publicação não significa que o medicamento já esteja disponível nas unidades de saúde. As áreas técnicas do Ministério da Saúde terão prazo máximo de 180 dias para efetivar a oferta na rede pública. A apresentação incorporada é a solução injetável de 30 miligramas em 20 mililitros.
A edaravona é aplicada por via intravenosa, em ciclos que alternam dias de infusão e períodos de pausa. O medicamento atua no combate ao estresse oxidativo, mecanismo associado aos danos sofridos pelos neurônios motores, e tem ação diferente da apresentada pelo riluzol, até então a terapia específica disponível no SUS para modificar a evolução da ELA.
A avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) apontou que o tratamento pode ajudar a reduzir a perda de funções motoras, principalmente quando iniciado nos primeiros estágios da doença. A comissão, porém, registrou limitações nos estudos e classificou como moderada a confiança nas evidências relacionadas à capacidade respiratória e à sobrevida.
Um estudo observacional publicado em 2022 na revista científica eClinicalMedicine, do grupo The Lancet, associou o uso intravenoso da edaravona a uma mediana de sobrevida seis meses maior. Esse resultado não representa garantia individual de benefício e, segundo a Conitec, não foi reproduzido de maneira consistente em todos os estudos realizados fora de ambientes clínicos controlados.
A esclerose lateral amiotrófica é uma doença progressiva que compromete os neurônios responsáveis pelos movimentos voluntários. Entre os sinais estão fraqueza muscular, dificuldade para segurar objetos, tropeços frequentes e problemas persistentes para falar, engolir ou respirar. Não existe um exame único capaz de confirmar a ELA, e o diagnóstico é feito por neurologista com avaliação clínica e exames destinados também a descartar outras doenças.
A ELA ainda não tem cura. O tratamento busca retardar sua progressão, controlar sintomas e preservar a qualidade de vida e a autonomia dos pacientes. O próximo passo será a organização da oferta da edaravona no SUS dentro do prazo estabelecido pelo Ministério da Saúde.