Desmatamento avança e Brasil perde 33% de suas áreas naturais
País registra impacto em biomas e alerta para riscos climáticos
Por Plox
21/08/2024 08h37 - Atualizado há cerca de 1 ano
Um levantamento realizado pelo MapBiomas revelou que o Brasil já perdeu 33% de suas áreas naturais desde 1985, resultado da ação humana sobre o uso e cobertura do solo. Nos últimos 39 anos, o país perdeu 110 milhões de hectares de vegetação nativa, superfícies de água e áreas naturais não vegetadas, como praias e dunas, o que representa 13% do território nacional. A pesquisa destacou o impacto negativo dessas mudanças, sobretudo na dinâmica climática regional.

Biomas brasileiros sofrem severas perdas
O mapeamento evidenciou que a Amazônia foi o bioma mais afetado, com uma perda de 55 milhões de hectares de vegetação nativa. O Cerrado e a Caatinga também registraram perdas significativas, de 38 milhões e 8,6 milhões de hectares, respectivamente. No Pampa, 3,3 milhões de hectares foram suprimidos. O Pantanal, que em 1985 tinha 21% de sua área coberta por água, viu essa porcentagem cair para apenas 4% em 2023, enquanto áreas de vegetação herbácea e arbustiva aumentaram consideravelmente, de 36% para 50% do bioma.
Impactos da declividade no relevo rural e urbano
A análise do relevo revelou que terras planas no campo, com inclinação de 0 a 3%, perderam 20% de sua cobertura nativa, refletindo a intensa transformação para agricultura e pastagem. Em áreas urbanas, as encostas, com inclinação superior a 30%, sofreram uma redução média de 3,3% ao ano na vegetação nativa. Segundo Bárbara Costa, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia e da MapBiomas, "essa informação sobre a declividade pode ser um dos fatores para entendimento de outros processos como os erosivos, deslizamentos e infiltração da água no solo".
Mudanças no uso da terra em áreas privadas e públicas
As áreas privadas foram as mais impactadas, com 28% das áreas naturais suprimidas em 39 anos. De um total de 281 milhões de hectares convertidos até 2023, 60% estão em propriedades privadas, onde a agricultura expandiu 228% e as pastagens 76% desde 1985. Em contraste, as florestas públicas destinadas, como as Terras Indígenas, mantiveram-se como as áreas mais preservadas do país, com menos de 1% de perda de vegetação nativa em 39 anos. Já as florestas públicas não destinadas, que representam 13% da Amazônia Legal, ainda mantêm 92% de sua cobertura original.
Recuperação e conservação
Apesar das perdas, o estudo levou em consideração o mapeamento da vegetação nativa recuperada a partir de 2008, quando o Código Florestal foi regulamentado. Em 37% dos municípios brasileiros, houve ganho de vegetação nativa entre 2008 e 2023. Contudo, 45% dos municípios ainda apresentam saldo negativo na cobertura de área natural, enquanto os demais 18% mantiveram-se estáveis.
Desafios e perspectivas para o futuro
Os dados apresentados pelo MapBiomas mostram uma tendência acelerada de transformação nos biomas brasileiros, especialmente no Cerrado e Pampa, que registraram perdas proporcionais de 27% e 28% desde 1985. O pesquisador Eduardo Vélez Martin destaca que "a dinâmica territorial de maior ou menor aceleração da taxa de perda ao longo do tempo" é essencial para compreender o futuro dos biomas. A pesquisa sugere que o tipo de terreno e o uso da terra serão fundamentais para o zoneamento e a conservação de áreas, com a finalidade de mitigar riscos climáticos e ambientais no Brasil.