Mais de 60% de desligados que viraram MEI agiram por necessidade, diz IBGE
Segundo o analista Thiego Gonçalves Ferreira, isso indica que muitos brasileiros se tornam MEI não por uma escolha planejada, mas como uma resposta à perda do emprego.
Por Plox
21/08/2024 11h03 - Atualizado há cerca de 1 ano
Mais de um milhão de brasileiros que perderam seus empregos em 2022 recorreram ao microempreendedorismo individual (MEI) como uma forma de sobrevivência. Segundo levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (21), a maior parte dos trabalhadores que optaram por se formalizar como MEI o fizeram por necessidade após serem demitidos.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil/Arquivo
Demitidos recorrem ao MEI
O estudo do IBGE revelou que, dos 2,1 milhões de novos microempreendedores individuais com histórico de emprego formal, cerca de 1 milhão foram desligados por decisão do empregador, o que representa 60,7% dos desligados que viraram MEI em 2022. Segundo o analista Thiego Gonçalves Ferreira, isso indica que muitos brasileiros se tornam MEI não por uma escolha planejada, mas como uma resposta à perda do emprego. "A maioria dos MEIs representariam a espécie de empreendedor por necessidade, uma vez que a causa do desligamento [do emprego anterior] não partiu dele, foi involuntário", afirmou Ferreira.
Radiografia do microempreendedorismo
Em 2022, o Brasil contava com 14,6 milhões de microempreendedores individuais, um aumento de 11,4% em relação a 2021. Entre esses, 2,6 milhões aderiram à modalidade jurídica no último ano do levantamento. Destes, 4 milhões estavam concentrados no estado de São Paulo, representando 27% do total nacional. A pesquisa também mostrou que o setor de serviços é o principal campo de atuação dos MEIs, com 51,5% deles empregados nessa área, seguido pela construção civil, onde quase um terço dos trabalhadores são microempreendedores.
Setores com forte correlação
O levantamento destacou que muitos trabalhadores que se tornaram MEI já atuavam em funções correlacionadas ao seu novo empreendimento. Por exemplo, 76,4% dos MEIs no setor de construção já trabalhavam como pedreiros, e 61,6% dos MEIs no setor de transporte atuavam anteriormente como caminhoneiros. Essa continuidade sugere que a experiência prévia pode ser um fator importante para o sucesso dos novos microempreendimentos, como avalia o analista do IBGE.
Perfil dos MEIs
A pesquisa também identificou que menos de 1% dos MEIs empregam outra pessoa, e que 38% deles operam no mesmo endereço de residência. Além disso, 28,4% dos MEIs eram inscritos no Cadastro Único (CadÚnico), um sistema que identifica famílias de baixa renda, e quase metade desses recebiam o Auxílio Brasil, agora denominado Bolsa Família.
Estatísticas experimentais
O estudo "Estatísticas dos Cadastros de Microempreendedores Individuais 2022" foi classificado pelo IBGE como experimental, uma vez que a série histórica da pesquisa começou em 2020. Segundo Thiego Ferreira, isso exige cautela na interpretação dos resultados.