Pablo Marçal critica teoria da evolução e propõe inclusão do criacionismo nas escolas
Candidato defende a inserção do criacionismo e do design inteligente nos currículos escolares
Por Plox
21/08/2024 17h14 - Atualizado há cerca de 1 ano
Durante um evento na capital paulista nesta quarta-feira (21/8), Pablo Marçal, candidato do PRTB à Prefeitura de São Paulo, trouxe à tona uma proposta controversa para o sistema educacional. Marçal defendeu que as escolas abordem o criacionismo e o design inteligente nas aulas, colocando em cheque a teoria da evolução das espécies, formulada por Charles Darwin. Segundo o candidato, a teoria darwiniana seria uma tentativa de "tirar a existência de Deus" das discussões acadêmicas.

Críticas à teoria da evolução
Em declarações feitas antes de participar de um podcast na zona sul de São Paulo, Marçal expressou sua descrença na teoria de Darwin. "Darwin é um cara que teve um problema de paternidade, se revoltou contra Deus. É um dos maiores cientistas do mundo, mas fez a gente acreditar que a gente é ancestral do primo do macaco, por causa de um polegar opositor. Sendo que, se você for olhar no reino animal, o coala também tem um polegar opositor. Desde quando eu era aluno de escola pública, eu nunca acreditei que eu era primo ancestral de macaco", afirmou o candidato.
Marçal, conhecido por sua forte presença nas redes sociais, argumenta que o criacionismo — a visão religiosa de que o universo e a vida foram criados por uma entidade divina — deveria ser discutido nas salas de aula, juntamente com outras teorias. Ele acredita que a diversidade de perspectivas é essencial para o desenvolvimento do pensamento crítico dos alunos.
Defesa do design inteligente
Além do criacionismo, Marçal e sua equipe de campanha defendem o ensino do design inteligente, uma teoria que sugere que certas estruturas biológicas são complexas demais para terem surgido apenas por meio da evolução natural. Em entrevista à rádio CBN, Anthony Tannus Wright, responsável pelas propostas educacionais de Marçal, afirmou que tanto a teoria da evolução quanto a do design inteligente deveriam ser apresentadas aos estudantes. "Acho que tem que apresentar as teorias: tem de apresentar a Teoria da Evolução, e que existe também a Teoria do Design Inteligente, que é muito interessante", disse Wright.
Discussão sobre o currículo escolar
Atualmente, o currículo oficial das escolas brasileiras, conforme estabelecido pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), prevê o ensino de hipóteses científicas sobre o surgimento da espécie humana, assim como a análise dos mitos de fundação em aulas de História. Em Ciências, os alunos estudam as ideias evolucionistas de Jean-Baptiste de Lamarck e Charles Darwin, comparando-as e compreendendo suas contribuições para a explicação da diversidade biológica.
Entretanto, a inclusão do criacionismo como conteúdo curricular já foi objeto de debate no Congresso Nacional. Um projeto de lei, proposto em 2014 pelo deputado federal Marco Feliciano (PL-SP), que prevê a introdução do criacionismo nas grades curriculares das escolas públicas e privadas, está atualmente parado na Câmara dos Deputados, aguardando parecer da Comissão de Educação.
Debate sobre o estado laico
Marçal também abordou a questão do estado laico em suas declarações, defendendo que, embora o Brasil seja um estado laico, ele não é ateu. Para o candidato, é fundamental que as escolas incentivem o pensamento crítico, apresentando múltiplas teorias para que os alunos possam chegar a suas próprias conclusões. "Se a pessoa falar dentro de sala de aula ‘eu acredito que eu vim do macaco’, ótimo, continue acreditando. Não vai mudar nada na vida da pessoa", afirmou Marçal, reforçando a importância de manter o debate aberto e diversificado nas instituições de ensino.