Rifas de influenciadores são alvo da Polícia de MG também; “Vida fácil com dinheiro alheio"

Autoridades investigam o luxo por trás das redes sociais

Por Plox

21/08/2024 09h29 - Atualizado há cerca de 1 ano

O esquema é sempre o mesmo: cria-se um ambiente para atrair seguidores nas redes sociais, esbanjar simpatia ou, pelo contrário, criar polêmicas que rendem engajamento. Em seguida, usa-se o melhor enquadramento, filtros e outros artifícios para ostentar uma vida de estrela. Pronto. Agora é só convencer os seguidores de que é oferecida a eles também a oportunidade de experimentar um pouco dessa vida glamourosa.  
“Eles passam a ter vida fácil com dinheiro alheio”, comentou um dos responsáveis pela operação que busca desmascarar o esquema que tomou conta do país.

 

Foto: reprodução: redes socais

O valor subtraído de cada pessoa é pequeno a ponto de não justificar que o fã venha a se sentir “roubado”. Valores pequenos de cada pessoa se transformam em milhões, por trás de um “filtro” ainda mais forte, que faz parecer que está tudo certo e perfeito.  
As polícias têm conseguido desmantelar esquemas de rifas fraudulentas em todo o país, baseadas no meio de comunicação potente que se tornaram as redes sociais, seja em grandes capitais ou nas menores cidades do interior.

Dessa vez, Nélio Dgrazi e Matheus Sales, influenciadores com milhares de seguidores, são alvos de operação por suposta promoção de rifas fraudulentas; estilo de vida luxuoso exibido nas redes sociais levanta suspeitas.

Na manhã de terça-feira (20), os influenciadores digitais Nélio Dgrazi, de Belo Horizonte (MG), e Matheus Sales, de Rio Branco do Sul (PR), foram alvo de mandados de busca e apreensão em uma operação coordenada pela Polícia Civil. Os dois são suspeitos de organizar rifas ilegais de veículos de luxo e quantias em dinheiro, prática que chamou a atenção das autoridades devido à ostentação de uma vida de alto padrão exibida por ambos nas redes sociais.

Luxo nas redes sociais

Foto: reprodução: redes socais

Nélio Dgrazi, com mais de 1,3 milhão de seguidores no Instagram, frequentemente compartilha vídeos de manobras com veículos de luxo, além de divulgar sorteios de carros e caminhões. Em várias postagens, ele aparece dirigindo esses automóveis por diferentes regiões do país. Um dos itens mais chamativos exibidos pelo influenciador é um iPhone 12 Pro Max banhado a ouro, com a assinatura da Rolex, avaliado em aproximadamente R$ 42 mil. Durante a operação, esse aparelho, além de outros itens de valor como passaporte, carros de alto padrão, computador, máquina de contar cédulas, cartões e documentos, foram apreendidos.

Nunca foi sorte': a estratégia de Matheus Sales

Matheus Sales, outro influenciador envolvido na investigação, tem mais de 480 mil seguidores e também exibe uma vida de luxo em suas redes sociais. Ele promove rifas de carros de luxo, motocicletas e caminhões, usando a frase "nunca foi sorte, sempre foi Deus" como destaque em seu perfil. Uma das postagens mais notáveis de Sales mostra o suposto recebimento de um automóvel por uma família de Rio Branco do Sul. Contudo, as investigações apontam que, embora alguns veículos fossem realmente entregues, outros eram mantidos pelos próprios influenciadores, sendo rifados novamente em um esquema rotativo entre diferentes estados.

Segundo Cézar Giovane Ferreira da Silva, agente de Polícia Judicial, “alguns veículos eles realmente entregavam, realmente entregaram, mas outros não, faziam rodízio entre eles. Então, digamos, uma BMW era daqui de BH, passava por uma rifa aqui, o ganhador, na maioria das vezes, era outro influenciador de outro estado que pegava esse mesmo veículo e fazia outra rifa lá, em outro estado. E assim era o modus operandi deles”.

Esquema de rifas ilegais

A operação policial, deflagrada pela Polícia Civil do Paraná, investiga Dgrazi e Sales pelos crimes de promoção ilegal de rifas, lavagem de dinheiro, associação criminosa e crime contra a economia popular. De acordo com o delegado Gabriel Fontana, da PCPR, há indícios de que os sorteios organizados pelos influenciadores eram fraudulentos, manipulados para garantir que os prêmios permanecessem dentro do grupo criminoso. "Acontece que, nos sorteios regulares, baseados na loteria federal, são utilizadas somente 5 dezenas, em composições que variam de 01 a 100.000. Há fortes indícios de que tais sorteios sejam fraudados para que os valores nunca saiam de dentro do grupo criminoso”, explicou Fontana.

Além dos mandados cumpridos em Belo Horizonte, Rio Branco do Sul, Itapema (SC) e Balneário Camboriú (SC), a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 25 milhões nas contas dos investigados e o sequestro de sete veículos de luxo em nome deles.

 

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