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A discussão sobre a formação exigida para exercer o jornalismo voltou ao centro do debate após ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) levantarem, nesta semana, a possibilidade de rediscutir a obrigatoriedade do diploma. Entre os profissionais que construíram carreiras de destaque na imprensa brasileira sem graduação específica em Jornalismo estão William Bonner, Boris Casoy, Ricardo Boechat e Joseval Peixoto. Atualmente, o diploma não é requisito legal para exercer a profissão no Brasil.
Jornalistas sem formação em jornalismo
Foto: Reprodução/TV Band // Reprodução/TV Globo/Lourival Ribeiro/SBT
William Bonner é formado em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). A própria universidade registra a formação do jornalista, que iniciou a trajetória profissional na publicidade antes de chegar ao rádio e à televisão.
Bonner assumiu a bancada do Jornal Nacional em 1996 e, a partir de 1999, acumulou também a função de editor-chefe. Ele deixou o telejornal em novembro de 2025, após 29 anos como apresentador e 26 anos na chefia editorial, e passou a integrar o Globo Repórter em 2026.
Boris Casoy também construiu uma longa trajetória no jornalismo sem diploma específico na área. O apresentador chegou a frequentar o curso de Direito, mas não concluiu a graduação. Antes de se tornar um dos principais âncoras da televisão brasileira, atuou no rádio e na imprensa escrita, chegando à chefia de redação da Folha de S.Paulo.
Ricardo Boechat, morto em 2019, também não cursou Jornalismo. Ele começou a trabalhar ainda jovem em redações e construiu uma carreira de quase cinco décadas em jornais, rádio e televisão, tornando-se um dos principais nomes da Band e da BandNews FM. Joseval Peixoto, por sua vez, seguiu caminho acadêmico diferente: formou-se em Direito pela Universidade de São Paulo em 1965 e consolidou a carreira como radialista e jornalista.
Outros personagens históricos da imprensa brasileira também exerceram o jornalismo sem formação específica na área. Assis Chateaubriand, responsável pela expansão dos Diários Associados, era formado em Direito. Carlos Lacerda iniciou o curso de Direito, mas abandonou a graduação enquanto já atuava na imprensa. Nomes como Samuel Wainer e Roberto Marinho também integram a relação de profissionais que fizeram carreira jornalística sem diploma de Jornalismo.
A exigência do diploma foi derrubada pelo STF em 17 de junho de 2009. Por 8 votos a 1, a Corte decidiu no Recurso Extraordinário 511961 que a formação superior específica não poderia ser imposta como condição para o exercício da profissão, considerando que a exigência prevista no Decreto-Lei 972/1969 não foi recepcionada pela Constituição de 1988.
O assunto reapareceu nesta terça-feira (18), durante julgamento na Primeira Turma do STF. Flávio Dino mencionou a possibilidade de a questão ser novamente debatida e Alexandre de Moraes também defendeu uma discussão sobre o tema, em meio a considerações sobre liberdade de imprensa, responsabilidade jornalística e desinformação. Gilmar Mendes, que foi relator do processo de 2009, afirmou posteriormente que o assunto pode ser discutido caso se entenda que houve comprometimento da qualidade da informação. Apesar das manifestações, até o momento não há uma ação em julgamento no STF destinada especificamente a derrubar a decisão de 2009 e restabelecer a obrigatoriedade do diploma.