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Um dos profissionais mais conhecidos da televisão brasileira, William Bonner construiu uma carreira de quatro décadas no jornalismo sem ter graduação específica na área. O apresentador é formado em Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda, pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). A própria USP confirma a formação do ex-âncora do Jornal Nacional.
William Bonner
Foto: Reprodução; TV
A informação ganhou novo interesse em meio ao debate sobre uma possível retomada da exigência do diploma de Jornalismo para o exercício profissional no Brasil. Atualmente, a formação universitária específica não é obrigatória, após decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2009.
Bonner iniciou a vida profissional como redator publicitário e também trabalhou como locutor de rádio. Chegou à Globo em 1986 e passou por atrações como Jornal Hoje, Jornal da Globo e Fantástico antes de assumir a bancada do Jornal Nacional, em 1996.
Ele permaneceu 29 anos como apresentador do principal telejornal da emissora. Em 1999, passou também a exercer a função de editor-chefe do JN, cargo que acumulou durante 26 anos. Bonner deixou o telejornal em 2025 e, desde fevereiro de 2026, apresenta o Globo Repórter ao lado de Sandra Annenberg.
Em junho de 2009, o plenário do STF decidiu, por 8 votos a 1, que a exigência de diploma superior específico em Jornalismo para exercer a profissão era incompatível com a Constituição. O julgamento ocorreu no Recurso Extraordinário 511961 e afastou a regra prevista no Decreto-Lei 972, de 1969. Apenas o então ministro Marco Aurélio votou pela manutenção da obrigatoriedade.
Na ocasião, o relator Gilmar Mendes sustentou que a exigência atingia a liberdade de expressão e de imprensa. A decisão continua válida e, portanto, não há atualmente obrigação de possuir graduação em Jornalismo para atuar profissionalmente na área.
O tema voltou ao centro das discussões nesta semana depois de manifestações dos ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes sobre a possibilidade de rediscutir a formação exigida de profissionais que atuam no jornalismo. As declarações ocorreram em meio a um debate no Supremo envolvendo liberdade de imprensa, sigilo da fonte e responsabilização por eventuais crimes.
Gilmar Mendes, relator do julgamento de 2009, afirmou nesta quarta-feira (19) que o tema pode ser novamente discutido caso exista entendimento de que a situação atual compromete a qualidade da informação. A possibilidade, porém, não representa mudança imediata na regra: não há, até o momento, decisão do STF restabelecendo a obrigatoriedade do diploma, e ministros ouvidos pela imprensa demonstraram resistência a uma revisão da jurisprudência neste momento.