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BRASÍLIA – A cúpula do Mercosul realizada neste sábado (20/12), em Foz do Iguaçu (PR), expôs de forma clara o choque de visões entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o argentino Javier Milei sobre a crise na Venezuela e o papel dos Estados Unidos na região.
Pouco depois do discurso de Lula, que criticou a pressão norte-americana sobre o país vizinho e alertou para os riscos de uma escalada militar, Milei fez uma defesa aberta da atuação do governo Donald Trump, destacando o apoio argentino às ações de Washington voltadas à Venezuela.
Argentino Javier Milei faz oposição ideológica ao brasileiro Lula
Foto: Wikicommons/Marcelo Camargo/Agência Brasil
Em sua fala, Lula afirmou que o continente sul-americano está “assombrado pela presença militar de uma potência extrarregional” e avaliou que os limites do direito internacional estão sendo testados.
O presidente brasileiro advertiu que uma ação armada na Venezuela poderia ter efeitos devastadores para toda a região, ao dizer que uma intervenção militar seria uma catástrofe humanitária e criaria um precedente perigoso em escala global.
Na sequência, Javier Milei adotou posição oposta. O presidente argentino afirmou que a Argentina “saúda” a pressão dos Estados Unidos e de Donald Trump para “libertar” o povo venezuelano, classificando a Venezuela como um país que continua enfrentando uma crise política, humanitária e social devastadora.
O argentino também endossou críticas de Trump ao regime de Nicolás Maduro e reforçou a visão de que o governo venezuelano representa um foco de instabilidade para o continente, ao descrever a atuação do líder como uma ameaça que se projeta sobre toda a região.
O embate retórico entre Lula e Milei ocorre em meio a uma escalada de tensão no continente americano, impulsionada por sucessivas declarações de Donald Trump sobre a possibilidade de um ataque militar à Venezuela.
O Brasil acompanha o cenário com preocupação, tanto pela relevância das relações comerciais com os Estados Unidos quanto pelo potencial de uma crise migratória e humanitária na fronteira com o país vizinho, caso o conflito se agrave.
Apesar do tema ter dominado discursos e bastidores, a declaração final divulgada pela cúpula do Mercosul não menciona a situação em Caracas. A omissão evidencia o racha interno no bloco diante da ofensiva americana contra o regime de Nicolás Maduro e as divergências entre os governos sul-americanos sobre como lidar com a crise.
Mesmo em campos ideológicos opostos e com uma relação marcada por tensão desde o retorno de Lula à Presidência, os dois líderes aparecem lado a lado na tradicional foto de família do Mercosul, em um gesto simbólico de convivência institucional em meio às discordâncias.
Além do impasse em torno da Venezuela, a cúpula foi marcada pela frustração com o novo adiamento da assinatura do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia. A declaração final registrou o “desapontamento” dos países do bloco com a não concretização do tratado, considerado estratégico para ampliar o acesso a mercados e atrair investimentos.
O encontro, realizado no Parque Nacional do Iguaçu, também marcou a transferência da presidência rotativa do Mercosul do Brasil para o Paraguai. A reunião contou com a presença dos presidentes Santiago Peña (Paraguai) e Yamandú Orsi (Uruguai). A Bolívia foi representada por um enviado, e os Estados associados do bloco também participaram dos debates.