Alta de impostos e expansão econômica levam arrecadação federal ao maior patamar em 31 anos

Receita cresce 3,75% em termos reais, puxada por pacote de aumento de tributos e fim de benefícios, e se torna peça central na tentativa de zerar o déficit em 2025

22/01/2026 às 10:40 por Redação Plox

A arrecadação do governo federal com impostos, contribuições e demais receitas somou R$ 2,88 trilhões em todo o ano de 2025, informou a Receita Federal nesta quinta-feira (22).

Em valores corrigidos pela inflação, a arrecadação superou R$ 2,7 trilhões no ano passado, ante R$ 2,47 trilhões em 2024, o que representa um aumento real de 3,75%.


Dinheiro em espécie

Dinheiro em espécie

Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil

Foi a maior arrecadação já registrada em um ano fechado desde o início da série histórica da Receita Federal, em 1995, ou seja, em 31 anos.

Medidas que impulsionaram a arrecadação

O resultado ocorre em um contexto em que governo e Congresso adotaram uma série de medidas para elevar a arrecadação. Entre as ações implementadas, estão:

tributação de fundos exclusivos (voltados à alta renda) e das chamadas “offshores”, mantidas no exterior;
mudanças na tributação de incentivos (subvenções) concedidos por estados;
aumento de impostos sobre combustíveis, promovido em 2023 e mantido desde então;
retomada do voto de qualidade no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf);
limitação no pagamento de precatórios (decisões judiciais);
imposto sobre encomendas internacionais, a chamada “taxa das blusinhas”;
reoneração gradual da folha de pagamentos;
fim de benefícios para o setor de eventos (Perse);
aumento do IOF sobre operações de crédito e câmbio.

Ao fim de 2025, governo e Congresso também aprovaram aumento na tributação dos juros sobre capital próprio das empresas, das fintechs e das casas de apostas esportivas (bets). Essas mudanças, porém, não tiveram impacto na arrecadação do próprio ano de 2025.

Economia em alta reforça receita recorde

Além das medidas legislativas e tributárias, o Fisco atribui a arrecadação recorde ao desempenho da economia em 2025, refletido em indicadores como produção industrial, vendas de bens e serviços, massa salarial e importações.

Meta fiscal e espaço para déficit

O aumento de receita é peça central na estratégia do governo para tentar zerar o déficit das contas públicas em 2025. O resultado fiscal do ano passado ainda não foi divulgado.

O arcabouço fiscal, nova regra para as contas públicas, prevê um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB, estimado em cerca de R$ 31 bilhões. Além disso, o Legislativo aprovou outros abatimentos na meta fiscal do ano passado:

estimativa de R$ 500 milhões para projetos estratégicos;
R$ 40,64 bilhões em precatórios;
R$ 3,31 bilhões para ressarcir aposentados e pensionistas que tiveram descontos indevidos.

Com esses mecanismos, as contas do governo podem apresentar um déficit inicialmente estimado de até R$ 75,4 bilhões sem que a meta seja considerada formalmente descumprida.

Esse valor ainda pode ser alterado, a depender do montante efetivamente pago em precatórios fora da meta, das exceções ligadas ao fundo social e do valor destinado a projetos estratégicos em defesa. Embora o relatório de orçamento preveja R$ 500 milhões para essas iniciativas, o teto autorizado pode chegar a R$ 3 bilhões.

Críticas e risco à trajetória da dívida

O volume elevado de despesas fora da meta fiscal é alvo de críticas de analistas, que apontam dificuldade adicional para o equilíbrio das contas públicas.

O Tesouro Nacional projeta manutenção do déficit até 2027, mesmo com a perspectiva de novos aumentos de impostos, o que tende a pressionar a dívida pública — indicador de capacidade de pagamento acompanhado de perto pelo mercado financeiro.

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