Dólar abre em leve alta e Ibovespa reflete alívio externo após recuo de Trump

Mercados globais reagem positivamente a acordo sobre a Groenlândia, suspensão de tarifas a países europeus e fim de shutdown nos EUA, enquanto BC liquida a Will Financeira e FGC prevê ressarcir R$ 6,3 bilhões a clientes

22/01/2026 às 09:07 por Redação Plox

O dólar começou a sessão desta quinta-feira (22) em leve alta, avançando 0,03% na abertura, cotado a R$ 5,3213. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, passa a ser negociado a partir das 10h.

Os investidores iniciam o dia de olho nos Estados Unidos, à espera de novos indicadores econômicos e de possíveis sinais de alívio no cenário internacional. Dados de inflação e de atividade dividem espaço com desdobramentos recentes da política externa americana, que vêm influenciando o humor dos mercados.


Dólar, moeda norte-americana

Dólar, moeda norte-americana

Foto: FreePik

Agenda americana concentra atenções

Nos EUA, o foco está na divulgação do PCE de novembro, indicador de inflação acompanhado de perto pelo Federal Reserve. A publicação havia sido adiada por causa do shutdown que terminou em novembro, após 43 dias de paralisação do governo.

A agenda inclui ainda a leitura final do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre, para o qual se projeta crescimento anualizado de 4,3%, além dos dados semanais de pedidos de auxílio-desemprego.

No exterior, as bolsas operam em alta após o presidente Donald Trump descartar o uso de força militar para anexar a Groenlândia e suspender tarifas que seriam impostas a oito países europeus, movimento que reduziu a percepção de risco nos mercados.

Esse alívio estimulou a migração de recursos para ativos de países emergentes na sessão anterior. No Brasil, o Ibovespa se destacou e encerrou o pregão de quarta-feira em 171.816,67 pontos, renovando o recorde de fechamento. Ao longo da sessão, o índice chegou à máxima intradia de 171.969,01 pontos, refletindo o ambiente externo mais favorável.

Desempenho recente do dólar e do Ibovespa

Dólar

Acumulado da semana: -0,98%
Acumulado do mês: -3,08%
Acumulado do ano: -3,08%

Ibovespa

Acumulado da semana: +4,26%
Acumulado do mês: +6,64%
Acumulado do ano: +6,64%

Tensão entre EUA e Europa e o futuro da Groenlândia

As relações entre Washington e a União Europeia seguem pressionadas pela disputa em torno da possível anexação da Groenlândia pelos Estados Unidos.

Nesta quarta-feira, após críticas contundentes à Europa em discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, o presidente americano, Donald Trump, afirmou ter alcançado um entendimento com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) sobre o futuro da ilha e da região do Ártico.

Com base em uma reunião muito produtiva que tive com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, formamos a estrutura de um futuro acordo relacionado à Groenlândia e, na prática, a toda a região do Ártico, afirmou o republicano em uma publicação no seu perfil no Truth Social, destacando que, caso essa solução seja concretizada, será muito positiva para os EUA e para todos os países da Otan.

Donald Trump

A partir desse entendimento, Trump também decidiu recuar das tarifas de 10% impostas a países europeus no último sábado, em resposta à resistência dessas nações à aquisição da Groenlândia pelos EUA.

Na mesma publicação, ele acrescentou que discussões adicionais estão em andamento sobre o chamado Domo de Ouro em relação à Groenlândia, indicando que mais informações serão divulgadas à medida que as conversas avancem, sem detalhar o conteúdo do acordo ou prazos para sua vigência.

A decisão representa mais um capítulo no embate entre os Estados Unidos e a União Europeia sobre a ilha do Ártico. A UE, que já discutia possíveis respostas às tarifas anunciadas, ainda não havia apresentado novo posicionamento sobre o recuo de Trump até a última atualização desta reportagem.

Banco Central liquida Will Financeira

Também nesta quarta-feira, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira, conhecida como Will Bank, interrompendo as atividades da instituição, que integra o conglomerado do Banco Master.

Em nota, o BC informou que a medida foi tomada devido ao comprometimento da situação econômica da financeira e à incapacidade de honrar dívidas, em meio a um vínculo de interesse evidenciado pelo exercício de poder do Banco Master, liquidado em novembro.

Segundo o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), associação privada que integra o Sistema Financeiro Nacional, a estimativa é de desembolso de R$ 6,3 bilhões para ressarcir clientes e investidores do Will Bank. Os pagamentos seguirão o regulamento do FGC e terão como base os dados e valores apurados pelo liquidante nomeado pelo Banco Central.

O FGC informou que a quantidade de clientes e o montante total a ser pago serão divulgados após a consolidação das informações. O fundo ressaltou ainda que a instituição faz parte do conglomerado do Banco Master, o que pode afetar o valor dos desembolsos, já que alguns beneficiários podem ter ultrapassado o limite de garantia.

De acordo com o fundo, os clientes que adquiriram produtos elegíveis à garantia do FGC antes da aquisição do Will Bank pelo Master, em 21 de agosto de 2024, terão a proteção preservada. A partir dessa data, nos casos em que o cliente possua produtos nas duas instituições, os valores serão consolidados por CPF ou CNPJ, respeitando o teto de R$ 250 mil.

O FGC esclareceu ainda que, se o credor já tiver recebido o limite de R$ 250 mil na liquidação do Banco Master, do Banco Master de Investimento ou do Letsbank, não haverá novos pagamentos, uma vez que todas as instituições pertencem ao mesmo conglomerado financeiro.

Bolsas globais reagem a sinalizações de Trump

Em Wall Street, os principais índices dos Estados Unidos fecharam em alta nesta quarta-feira, após o pior pregão dos últimos três meses, de acordo com informações da Reuters. Os investidores seguiram atentos às sinalizações de Trump sobre o novo acordo com a Otan em torno da Groenlândia.

Ao fim do dia, o S&P 500 subiu 1,16%, aos 6.875,62 pontos, o Nasdaq avançou 1,18%, aos 23.224,83 pontos, e o Dow Jones registrou alta de 1,21%, aos 49.076,98 pontos.

No setor corporativo, empresas como Nvidia e Tesla se recuperaram das perdas da véspera. Ações de companhias aéreas também avançaram com projeções mais otimistas, enquanto outros papéis recuaram em meio a decisões estratégicas e resultados financeiros.

Além do cenário político, o mercado acompanha a divulgação de indicadores relevantes da economia americana e balanços de grandes companhias, que ajudam a calibrar as expectativas para o ritmo de crescimento e de inflação nos EUA.

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