Deputada acusa vice-governador de MG de ameaça e chantagem política por telefone

Lud Falcão afirma que Mateus Simões condicionou atendimento de demandas do mandato a pedido de desculpas do prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão, crítico da gestão Zema e da privatização da Copasa

22/01/2026 às 09:53 por Redação Plox

A deputada estadual Lud Falcão (Podemos) acusou o vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), de tê-la ameaçado e de condicionar o atendimento de demandas do seu mandato a um pedido de desculpas feito por seu marido, o prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão (sem partido).

Segundo a parlamentar, Simões teria dito que iria “fechar as portas” do Executivo para solicitações apresentadas pelo gabinete dela caso o prefeito não recuasse de críticas dirigidas à gestão estadual.

Lud Falcão foi eleita em 2022 e está em seu primeiro mandato na Assembleia Legislativa de Minas Gerais

Lud Falcão foi eleita em 2022 e está em seu primeiro mandato na Assembleia Legislativa de Minas Gerais

Foto: Marcelo Sant’Anna/ ALMG


O episódio foi relatado em um vídeo publicado no perfil de Lud Falcão no Instagram, na quarta-feira (21). Ela afirma ter recebido uma ligação telefônica de Mateus Simões, em tom de ameaça, minutos depois de o marido divulgar um vídeo com críticas a um pronunciamento do vice-governador. A fala que motivou a reação de Falcão envolvia uma ironia de Simões sobre o apoio prestado por uma cidade do interior à Polícia Militar.

Vídeo da deputada relata suposta ameaça

No vídeo, Lud Falcão diz que o telefonema de Simões atrelou a liberação de demandas do mandato a um pedido de desculpas do marido até a meia-noite do mesmo dia. A deputada afirma que suas solicitações ao governo são feitas em nome da população mineira e critica a postura atribuída ao vice-governador ao tratar da interlocução com o Parlamento estadual.

Lud Falcão está em seu primeiro mandato na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), eleita em 2022. Ela sustenta que a atitude de Simões não atinge apenas sua atuação parlamentar, mas também moradores de diferentes regiões do estado que dependem do atendimento do governo.

Prefeito de Patos de Minas e presidente da AMM intensifica críticas

Luís Eduardo Falcão é prefeito de Patos de Minas, no Alto Paranaíba, e presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), que reúne 837 dos 853 municípios mineiros. Desde o fim de 2025, ele tem elevado o tom contra a gestão estadual, especialmente em debates sobre a distribuição de recursos entre entes federativos e a privatização da Copasa.

Segundo a deputada, o telefonema de Simões aconteceu após a publicação de um vídeo em que o prefeito reage a um trecho de discurso do vice-governador em evento público. Na ocasião, Simões relatou, em tom irônico, que um prefeito do interior teria se comprometido a ceder servidores para ajudar a Polícia Militar, mas o apoio se resumiria a “dois estagiários”.

Falcão rebate fala sobre apoio de cidades à Polícia Militar

No vídeo em resposta ao vice-governador, Luís Eduardo Falcão afirma lamentar a declaração e diz preferir acreditar que ela decorre de desconhecimento da realidade dos municípios do interior. Ele argumenta que a fala de Simões reduz o esforço de prefeitos e prefeitas para apoiar as forças de segurança estaduais.

O prefeito cita o caso de Patos de Minas, onde, segundo ele, a prefeitura já havia cedido 13 pessoas à Polícia Civil, além de arcar com aluguel, estrutura física, manutenção e outras despesas relacionadas ao funcionamento da corporação no município.

Críticas à postura de Simões e disputa política

Na sequência, Falcão afirma que a declaração do vice-governador representa desrespeito ao interior de Minas e se distancia da linha política que Simões dizia defender no passado. Ele sustenta que a chamada “nova política” deveria ser baseada em diálogo, planejamento e respeito, e critica a ideia de que o estado possa ser administrado distante da realidade vivida pelos contribuintes.

Luis Eduardo Falcão e Mateus Simões foram correligionários no Partido Novo. O prefeito deixou a legenda em abril do ano passado e, apesar de ter pretensões de disputar o governo estadual, ainda não se filiou a um novo partido. Já Simões migrou para o PSD, em movimento associado às eleições de outubro, quando tentará a recondução ao cargo de vice-governador após o fim do segundo mandato de Romeu Zema (Novo).

Vice-governador não responde às acusações

Procurado pela reportagem para comentar as declarações de Lud Falcão e o teor da ligação relatada pela deputada, Mateus Simões não respondeu até a publicação deste texto.

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