Técnica de enfermagem sentia prazer ao matar pacientes em UTI, afirma investigação

Polícia Civil do DF investiga esquema organizado na UTI de hospital em Taguatinga, onde técnicos de enfermagem teriam aplicado desinfetante hospitalar na corrente sanguínea de pacientes, resultando em ao menos três mortes entre novembro e dezembro de 2025

22/01/2026 às 10:08 por Redação Plox

A técnica de enfermagem Marcela Camilly Alves da Silva, de 22 anos, é apontada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) como uma das responsáveis pela morte de pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF). De acordo com o inquérito, ela demonstrava comportamento compatível com sensação de prazer ao acompanhar os crimes.

Técnica de enfermagem sentia prazer ao matar pacientes em UTI, afirma investigação

Técnica de enfermagem sentia prazer ao matar pacientes em UTI, afirma investigação

Foto: (Foto: Reprodução/Redes sociais)


As investigações indicam que Marcela atuava como comparsa do técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa, de 24 anos, considerado o principal suspeito na série de mortes registradas na UTI.

Treinamento para o crime e método usado

Conforme o inquérito, Marcos teria treinado Marcela para auxiliá-lo na prática criminosa. A jovem ficava responsável por manusear a substância considerada letal e permanecia ao lado do colega de trabalho enquanto os pacientes iam a óbito.

A PCDF afirma que a atuação da dupla foi deliberada e organizada, com divisão de tarefas e repetição do mesmo método de execução.

Segundo informações divulgadas pelo portal Metrópoles e incluídas no inquérito, os documentos descrevem uma sequência de ações que teria levado à morte de ao menos três pacientes dentro da UTI do Hospital Anchieta.

Os registros da Polícia Civil apontam que uma substância letal era aplicada diretamente na corrente sanguínea das vítimas, provocando a morte em curto espaço de tempo.

Descrição da ação dentro da UTI

A peça acusatória detalha a conduta de Marcos Vinícius no momento de um dos crimes, destacando o uso de desinfetante hospitalar na execução.

Para consumar seu intento homicida, Marcos Vinicius pega um recipiente contendo o desinfetante da marca Genrio, coloca o conteúdo num copo e o aspira em diversas seringas. Ato contínuo, aplica de 10 a 13 seringas contendo o desinfetante na veia da paciente. Desta feita, a vítima sofre nova parada cardíaca e morre — inquérito policial

O relatório menciona ainda a conivência de outros profissionais durante o ato. Marcela, de 22 anos, presenciou a aplicação da substância em uma professora aposentada e, segundo o documento, não tentou interromper o procedimento nem prestar auxílio à paciente.

O inquérito aponta que a técnica de enfermagem demonstrava satisfação ao observar o que acontecia no leito dentro da UTI, reforçando a percepção de frieza e ausência de empatia diante do sofrimento da vítima.

Outras mortes atribuídas ao grupo

A investigação conduzida pela PCDF indica que a professora aposentada, identificada como Miranilde, não foi a única vítima no mesmo período. No dia 17 de novembro, João Clemente Pereira, de 63 anos, também teria recebido a aplicação de uma substância nociva.

João chegou a resistir a um primeiro colapso cardíaco, mas morreu após nova intervenção do técnico de enfermagem, que, segundo o inquérito, retornou ao hospital depois do fim do expediente para concluir a ação homicida.

A denúncia da Polícia Civil ressalta a frieza do executor diante da morte do paciente, destacando a forma como ele permaneceu observando o desfecho após o horário de trabalho.

Uma terceira vítima, o carteiro Marcos Moreira, de 33 anos, morreu em 1º de dezembro, após receber uma única dose da mesma substância. Nesse caso, o inquérito aponta colaboração direta de Marcela na retirada do material na farmácia do hospital.

Prisões, acusações e linha do tempo

Até o momento, Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Marcela Camilly Alves da Silva e Amanda Rodrigues de Sousa foram presos sob acusação de homicídio qualificado. Segundo apuração citada no inquérito, uma quarta técnica de enfermagem também responde pelo mesmo crime, mas em liberdade.

Os óbitos atribuídos ao grupo se concentram entre a segunda quinzena de novembro e o início de dezembro de 2025, todos dentro do ambiente de terapia intensiva do Hospital Anchieta.

Depoimentos e ausência de explicação

Durante os interrogatórios, os suspeitos alegaram inicialmente que apenas cumpriam prescrições médicas rígidas. Com o avanço das apurações e a apresentação de provas pela PCDF, a postura mudou para uma confissão parcial, ainda assim marcada pela falta de arrependimento, segundo o inquérito.

O delegado responsável pelo caso assinalou, nos autos, que os envolvidos não apresentaram justificativa ou motivação clara para a prática dos crimes no ambiente de tratamento intensivo, o que reforça a gravidade e o caráter chocante das mortes dentro da UTI.

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