Empresários preparam contra-ataque ao fim da jornada 6x1 com avanço de propostas no Congresso

Entidades empresariais intensificaram articulação para influenciar e contestar projetos e uma PEC que reduzem a jornada semanal e ampliam o descanso, enquanto o tema avança no Senado e na Câmara, em Brasília.

22/02/2026 às 14:02 por Redação Plox

Entidades empresariais intensificaram, nas últimas semanas, a articulação contra propostas que buscam acabar com a escala 6x1 (seis dias de trabalho e um de descanso) e reduzir a jornada semanal no Brasil. O movimento inclui a entrega de parecer a um senador e críticas públicas de lideranças do setor produtivo, enquanto o tema avança em debates simultâneos no Senado e na Câmara, com apoio declarado do governo federal a mudanças graduais.

Empresários preparam um contra-ataque organizado ao fim da jornada 6x1, tentando influenciar o texto das propostas em discussão e apontando riscos especialmente para micro e pequenas empresas.

A principal estratégia dos empresários, segundo fontes, é atuar para que a PEC só seja votada depois da eleição de outubro.

A principal estratégia dos empresários, segundo fontes, é atuar para que a PEC só seja votada depois da eleição de outubro.

Foto: Prefeitura de Betim/Divulgação


Debate sobre jornada 6x1 ganha força no Senado e na Câmara

Nos dias que antecederam a retomada do ano legislativo, a discussão sobre a escala 6x1 ganhou tração em Brasília por dois caminhos paralelos.

No Senado, a TV Senado informou que a PEC 148/2025, conforme divulgado pela emissora, pode ir a voto no Plenário. A proposta prevê a redução gradativa da jornada e a garantia de ao menos dois dias de repouso por semana, o que, na prática, eliminaria o modelo 6x1.

Na Câmara, o tema é discutido em projetos e debates na Comissão de Trabalho. Segundo relatos, o governo defende uma transição gradual, citando um texto que reduziria a jornada semanal em etapas ao longo dos próximos anos.

Do lado empresarial, a CACB informou que representantes ligados ao comércio e serviços entregaram a um senador um parecer da Unecs sobre a mudança na jornada 6x1, com foco na preocupação em torno dos impactos sobre micro e pequenas empresas.

Governo, Congresso e setor produtivo se posicionam

De acordo com a Agência Brasil, integrantes do governo federal se colocaram contra um parecer em discussão na Câmara que manteria a escala 6x1, reforçando como diretriz o fim do 6x1.

No Senado, o Senado Notícias registrou que o senador Paulo Paim celebrou o avanço de uma proposta de sua autoria que reduz a jornada máxima e, com isso, prevê o encerramento da escala 6x1, após aprovação na CCJ e com expectativa de votação em Plenário.

Entre as entidades empresariais e da indústria, a discussão também se acirrou. Em entrevista à BandNews FM, o presidente da CNI, Ricardo Alban, classificou o debate como válido, mas criticou o que chamou de “oportunismo eleitoral” e alertou para o risco de perda de competitividade e de pressões inflacionárias se as mudanças avançarem sem ganho de eficiência.

Setores mais afetados e ajustes nas empresas

Caso o fim da escala 6x1 avance, os efeitos mais imediatos devem ser sentidos em setores com operação contínua e alta rotatividade, como comércio, supermercados, farmácias, bares e restaurantes, logística e parte da indústria.

Na prática, empresas podem ter de reorganizar profundamente suas escalas de trabalho para garantir dois dias de descanso semanal, o que pode elevar a necessidade de pessoal em determinados modelos de operação.

Também devem ganhar peso processos de renegociação de acordos e ajustes nas rotinas de recursos humanos, envolvendo banco de horas, turnos, folgas e contratações temporárias, sobretudo em períodos de pico.

Outro ponto sensível é o recalculo de custos, incluindo folha de pagamento, adicionais, horas extras e produtividade por hora trabalhada — um dos argumentos centrais levantados por lideranças empresariais ao articular o contra-ataque às mudanças na jornada.

Para os trabalhadores, o impacto direto seria um maior tempo de descanso e potencial redução do desgaste físico e mental, argumento usado por defensores da mudança com foco em saúde e qualidade de vida.

Empresariado articula contra-ataque e pressiona por transição

A entrega de parecer por CACB e Unecs e o aumento das manifestações públicas de representações como a CNI indicam uma escalada da mobilização empresarial contra o fim da escala 6x1, com foco em uma agenda de “debate técnico” no Congresso.

Nesse movimento, entidades têm defendido alternativas como transições mais longas, possíveis exceções setoriais e algum tipo de compensação, especialmente para pequenos negócios — ponto ressaltado pela CACB como mais sensível.

Há expectativa de que esse contra-ataque empresarial se desdobre em novas ações coordenadas, como estudos, manifestos e intensificação da interlocução com líderes do Legislativo, à medida que as propostas avançam nas duas Casas.

Próximos passos no Congresso

No Senado, a tendência, segundo a TV Senado, é que a proposta entre no radar de votações com a volta dos trabalhos, o que pode acelerar a disputa política em torno do texto e de eventuais ajustes.

Na Câmara, o tema segue em análise e em debates na Comissão de Trabalho, com o governo reiterando apoio a uma transição gradual nos projetos em tramitação.

Nesse cenário, o embate entre a diretriz de fim do 6x1 e o contra-ataque dos empresários tende a se transformar em um dos principais focos da agenda econômica no Congresso, cruzando discussões sobre mercado de trabalho, competitividade e custos para as empresas.

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