Lula pede cautela sobre novas tarifas dos EUA e manda recado a Trump: “Não queremos nova Guerra Fria”
Em Nova Délhi, presidente afirma que ainda é cedo para cravar impactos das taxas anunciadas por Washington e diz que o Brasil busca manter relações comerciais e diplomáticas em bases de igualdade, sem escolher lado entre EUA e China.
22/02/2026 às 14:11por Redação Plox
22/02/2026 às 14:11
— por Redação Plox
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em conversa com jornalistas em Nova Délhi, na Índia, que o governo brasileiro observa com cautela as novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos e que o país não pretende embarcar em uma lógica de confronto entre grandes potências. Ao tratar do tema, Lula enviou um recado ao presidente norte-americano Donald Trump, ao reforçar que o Brasil não quer “uma nova Guerra Fria” e busca manter relações “iguais” com todos os países.
Lula defende cautela e equilíbrio entre EUA e China
Questionado sobre a rodada mais recente de tarifas anunciadas por Washington, Lula disse que, no governo, a avaliação é de que ainda é cedo para apontar impactos concretos e cenários definitivos. Por isso, a orientação é adotar uma postura de prudência e acompanhar os desdobramentos antes de qualquer decisão mais dura.
Na mesma fala, o presidente reiterou que o Brasil não pretende escolher lado entre Estados Unidos e China. A posição defendida é a de manter relações comerciais e diplomáticas em bases de igualdade, com pedido de “tratamento igualitário” nas relações internacionais.
A manifestação ocorre durante a agenda internacional de Lula na Índia e em um momento de aumento das tensões comerciais globais, com a chamada “guerra tarifária” voltando ao centro do debate internacional.
Lula fez as declarações durante coletiva de imprensa em Nova Délhi, na Índia
Foto: Agência Brasil
Mensagem ao governo Trump e rejeição a nova Guerra Fria
De acordo com a CNN Brasil, Lula reforçou que o Brasil “não quer uma nova Guerra Fria”, não quer “preferência por nenhum país” e pretende ter “relações iguais com todos os países”, cobrando reciprocidade no tratamento dado ao Brasil.
Segundo registro da Band, o presidente adotou a linha de defesa de uma convivência “respeitosa e civilizada” nas relações internacionais e rejeitou alinhamentos automáticos a blocos específicos de poder.
Já em declaração publicada pelo InfoMoney, com conteúdo do Estadão, Lula ampliou o argumento e apontou que o mundo não precisa de “guerras tarifárias” nem de uma nova Guerra Fria entre China e EUA, sinalizando preocupação com efeitos econômicos e geopolíticos dessa escalada.
Riscos para economia brasileira e cenário global
No plano prático, novas tarifas ou barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos tendem a afetar exportadores brasileiros e a indústria, com impacto em cadeias produtivas e contratos de venda ao exterior, incluindo o agronegócio. Estados com forte base industrial e exportadora, como São Paulo e Minas Gerais, podem sentir mais rapidamente oscilações de demanda, custos logísticos e condições financeiras.
As tensões também costumam aumentar a volatilidade do câmbio, pressionando o dólar e, por consequência, os preços internos de insumos importados, combustíveis e componentes industriais, com potencial reflexo sobre a inflação.
Do ponto de vista diplomático, o discurso de “cautela” e “diálogo” sinaliza a tentativa do governo de evitar uma escalada imediata, preservando espaço para negociação com Washington. O cenário, porém, permanece instável e depende dos próximos anúncios do governo norte-americano e das respostas formais que o Brasil vier a adotar, ainda em apuração.
Próximos passos do governo e do mercado
O mercado e o setor produtivo aguardam a divulgação de atos formais que detalhem quais produtos ou segmentos podem ser mais afetados pelas tarifas, bem como eventuais exceções, prazos de vigência e mecanismos de revisão.
Também haverá atenção redobrada à agenda do Planalto e do Itamaraty, incluindo possíveis reuniões bilaterais, notas oficiais e novos posicionamentos do Ministério das Relações Exteriores, que podem indicar se o Brasil buscará negociação direta, articulação multilateral ou outras iniciativas.
No Congresso e entre entidades empresariais, a expectativa é de pressão por estratégias de mitigação, como linhas de crédito, apoio adicional a exportadores e estímulo à diversificação de mercados, sobretudo se as medidas norte-americanas forem confirmadas e ganharem caráter duradouro.