Trump eleva tarifa global de importação dos EUA para 15% e poupa carne e suco do Brasil
Medida terá duração inicial de cinco meses, será cumulativa às alíquotas já existentes e prevê exceções para reduzir impacto na cadeia de suprimentos e na inflação de alimentos.
22/02/2026 às 17:12por Redação Plox
22/02/2026 às 17:12
— por Redação Plox
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado (21) o aumento da tarifa global de importação de 10% para 15%, em uma medida com duração inicial de cinco meses. Apesar do reajuste, produtos estratégicos brasileiros, como carne bovina e suco de laranja, foram oficialmente poupados da nova sobretaxa.
A decisão se baseia na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que autoriza o Executivo americano a aplicar alíquotas de até 15% por um período de 150 dias para corrigir desequilíbrios no balanço de pagamentos, sem necessidade de investigações prévias.
Carne e suco de laranja brasileiros são blindados
Foto: Canva/Banco de imagem
Tarifa será cumulativa sobre impostos já existentes
Diferentemente de ajustes anteriores, a nova taxa de 15% terá caráter cumulativo. Isso significa que ela será acrescentada às alíquotas que já incidem normalmente sobre os produtos na alfândega dos Estados Unidos.
O anúncio ocorre em meio a um embate jurídico. A Suprema Corte dos EUA rejeitou formatos anteriores de aplicação das tarifas, e Trump reagiu sustentando que a cobrança continua válida.
A decisão da Corte não anulou as tarifas, apenas um de seus formatos de aplicação. Existem outros caminhos legais para manter a cobrança e proteger a economia americana Donald Trump
Produtos brasileiros poupados do novo tarifaço
Para reduzir riscos de desorganização da cadeia de suprimentos interna e evitar pressão adicional sobre a inflação de alimentos, o governo americano definiu uma lista de exceções. Além dos parceiros do USMCA (Canadá e México), alguns itens brasileiros ficaram de fora da nova tarifa global.
Entre as isenções confirmadas estão:
Proteína animal: carne bovina.
Hortifrúti: tomates e laranjas in natura.
Bebidas: suco de laranja, isenção confirmada por representantes da indústria.
Insumos e energia: fertilizantes, minerais críticos e energia.
Com isso, carne bovina e suco de laranja brasileiros ganham uma blindagem estratégica em um momento de endurecimento tarifário global promovido por Washington.
Setores brasileiros reagem com alívio e cautela
Mesmo com as isenções, entidades brasileiras mantêm postura de vigilância, já que o impacto da nova alíquota varia fortemente entre os segmentos exportadores.
No setor de pescados, a Abipesca demonstra otimismo, projetando recuperação da competitividade internacional e a possibilidade de recontratar até 5 mil trabalhadores demitidos durante o período de tarifas mais elevadas.
Entre os exportadores de suco de laranja, a CitrusBR manifestou alívio após confirmar que a bebida não será submetida à sobretaxa de 15%. No entanto, o setor cafeeiro, que havia comemorado o fim do tarifaço na sexta-feira (20), passou a adotar uma postura mais reservada. A Abic informou que seu departamento jurídico ainda avalia se o café será ou não alcançado pela nova regra.
Já a Abiec, principal representante da indústria de carne bovina, preferiu não comentar o anúncio e informou que não irá se manifestar sobre as novas tarifas por enquanto.
Para Eduardo Lobo, representante da Abipesca, a definição clara das regras é vista como condição para conter as perdas do setor, que viu as exportações recuarem de uma projeção de US$ 600 milhões para US$ 400 milhões no último ano em meio à instabilidade tarifária.
Mercado aguarda lista detalhada de produtos afetados
Os próximos dias devem ser decisivos para os exportadores brasileiros. O mercado aguarda a publicação oficial da lista completa de códigos tarifários atingidos pela nova alíquota para saber se subprodutos do agronegócio ainda não mencionados nas isenções serão afetados de forma direta ou indireta.
A expectativa é que o detalhamento das regras permita dimensionar o alcance real da medida sobre diferentes cadeias produtivas e orientar a estratégia de empresas e entidades em um cenário de tarifas mais altas no principal mercado do mundo.