Vice-presidente do PT diz que família em lata de conserva foi 'bobagem' e defende diálogo do PT com eleitores conservadores
Prefeito de Maricá disse que trecho foi “desnecessário”, comentou homenagem a Lula na Sapucaí e detalhou investimento de ao menos R$ 30 milhões no carnaval em 2027
22/02/2026 às 11:23por Redação Plox
22/02/2026 às 11:23
— por Redação Plox
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O prefeito de Maricá (RJ) e vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá, classificou como “bobagem” a ala da Acadêmicos de Niterói apelidada de “família em conserva”, que levou para a Sapucaí uma crítica ao conservadorismo em famílias no Brasil. A escola homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último domingo e terminou rebaixada do Grupo Especial.
Ala criticando a família em desfile que homenageou o presidente Lula / Prefeito de Maricá-RJ
Foto: Reprodução/ PT
Em entrevista ao UOL, Quaquá também apresentou sua visão sobre o conservadorismo nos costumes e como isso deve ser tratado pelo PT, comentou o fim das articulações para lançar Neguinho da Beija-Flor como candidato ao Senado pelo partido no Rio em 2026 e detalhou planos para a União de Maricá, escola ligada ao município que venceu a Série Ouro e vai desfilar no Grupo Especial no ano que vem.
Homenagem a Lula e a polêmica na avenida
Quaquá disse que Lula “mereceu” a homenagem e ressaltou a reação do público na avenida, destacando os aplausos recebidos durante a passagem da escola. Ao mesmo tempo, afirmou que preferia que a homenagem tivesse ocorrido por uma agremiação com maior tradição e com risco menor de queda.
“O presidente mereceu muito a homenagem, ele é uma figura da história do Brasil. Enfim, mereceu demais. Obviamente, eu tenho dito, podia ter sido numa escola que a gente soubesse que não ia cair, que tivesse tradição no carnaval, como a Portela ou a Mangueira.”
Ainda sobre o desfile, Quaquá afirmou que o essencial foi a recepção da Sapucaí ao presidente e citou problemas que, na visão dele, não deveriam ter entrado na apresentação — incluindo a ala que gerou reclamações tanto de aliados quanto de adversários políticos.
“Mas a escola passou na Sapucaí sob aplausos e isso, na minha opinião, é o mais importante. Tiveram escorregões, como aquele negócio desnecessário, da família numa latinha, que é uma bobagem, entendeu?”
Conservadorismo nos costumes e estratégia do PT
Ao explicar por que considera o episódio “família em conserva” um erro, Quaquá disse que esse tipo de mensagem fortalece uma pauta identitária que, para ele, não deve ser tratada como prioridade pelo partido. Ele argumentou que o PT é um partido popular e que, por isso, precisa levar em conta que parte do eleitorado é conservadora nos costumes.
“Eu acho que só reforça uma pauta identitária que nós devemos não tratar como prioritária, até porque o PT é um partido popular e, portanto, uma parte do povo é conservadora nos costumes.”
Na entrevista, o vice-presidente nacional do PT defendeu que a legenda, para alcançar “hegemonia” junto ao eleitorado, não pode se limitar a uma postura “liberal nos costumes” e deve saber dialogar também com o conservadorismo. Ele incluiu a própria visão pessoal como exemplo ao dizer que se considera conservador em hábitos e valores, ainda que se identifique como alguém de esquerda.
“Nós temos que saber que nós, para gente poder ter a hegemonia do povo brasileiro, a gente não pode ser só liberal nos costumes, tem que também abarcar o conservadorismo.”
“Eu mesmo me considero uma pessoa razoavelmente conservadora em costumes e sou um cara de esquerda. Então, a esquerda não pode se reduzir a um comportamento de costumes liberal.”
R$ 30 milhões e ‘soft power’ para projetar Maricá
Quaquá também falou sobre a União de Maricá, escola que venceu o carnaval da Série Ouro e garantiu vaga no Grupo Especial no próximo ano. Além de prefeito, ele é presidente de honra da agremiação e disse que a prefeitura planeja investir, em 2027, pelo menos R$ 30 milhões em ações relacionadas ao carnaval envolvendo a escola e projetos associados.
“A prefeitura, vai investir, no mínimo, na escola de samba e no conjunto das atividades ligadas à União de Maricá e à Universidade do Samba, R$ 30 milhões.”
Segundo Quaquá, o objetivo vai além do desfile. Ele citou cursos profissionalizantes e viagens da escola à Europa como parte de um plano para divulgar a cidade e associar a imagem do município à cultura brasileira, ampliando o reconhecimento internacional de Maricá.
“Em cursos profissionalizantes, viagens da escola à Europa para fazer propaganda do Brasil e da cidade, colando a imagem de Maricá à cultura brasileira e fazendo com que Maricá seja conhecido nas principais praças do mundo.”
“Vamos usar muito o soft power da escola de samba para fazer a propaganda de Maricá.”
Senado no Rio: Neguinho fora, Benedita na negociação
Outro ponto abordado por Quaquá foi a desistência das tratativas para lançar Neguinho da Beija-Flor como candidato ao Senado pelo PT no Rio de Janeiro em 2026. A movimentação dividiu o diretório estadual nos últimos meses, mas acabou prevalecendo a posição do grupo mais ligado à direção em Brasília, que defende a candidatura da deputada federal Benedita da Silva (PT).
Quaquá afirmou que Neguinho optou por não entrar na disputa eleitoral e comentou que ele seria “um ótimo senador”.
“O Neguinho não quis participar como candidato ao Senado. Ele é uma unanimidade e preferiu continuar como unanimidade, ao invés de entrar na briga política. Seria um ótimo senador.”
Sobre a composição da chapa, Quaquá disse que a vaga ao Senado ao lado de Eduardo — mencionada por ele na entrevista — deve ficar com Benedita, que estaria em negociação com o partido sobre o apoio.
“Mas a senadora na chapa do Eduardo agora vai ser a Benedita, que está negociando com o PT o nosso apoio, vai ter, dentro do que nós estabelecermos”
Segundo nome e abertura a partidos do centrão
Ao tratar do segundo nome a ser apoiado para o Senado no Rio, Quaquá citou nomes ligados ao centrão fluminense e indicou que o partido pretende manter abertura para composições com outras siglas. Entre os nomes mencionados por ele está Pedro Paulo, do PSD, além de possíveis quadros do PP e do União Brasil.
“Embora a gente tenha um nome forte, que é o Pedro Paulo, no PSD, pro segundo nome, vamos estar abertos, obviamente, para caso o PP ou a União Brasil queiram vir. Eles têm nomes como (Márcio) Canella (prefeito de Belford Roxo, do União Brasil), como Rogério Lisboa (ex-prefeito de Nova Iguaçu, filiado ao PP), o prefeito de Magé (Renato Cozzolino, do PP).”