Conferência na Colômbia reúne 60 países para acelerar transição longe dos combustíveis fósseis
Encontro em Santa Marta vai coletar contribuições para o “Mapa do Caminho”, proposta lançada pelo Brasil na COP30 e que deve ser entregue até a COP31.
22/04/2026 às 16:49por Redação Plox
22/04/2026 às 16:49
— por Redação Plox
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Representantes de cerca de 60 países e governos locais, além de povos indígenas, comunidades tradicionais, organizações sociais, cientistas e diplomatas, vão se reunir em Santa Marta, na Colômbia, a partir desta sexta-feira (24), para a 1ª Conferência Internacional sobre Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis.
A proposta central do encontro é reunir subsídios para a elaboração do Mapa do Caminho, iniciativa voltada a orientar uma transição energética que reduza, de forma progressiva, a dependência global de combustíveis fósseis.
Representantes de cerca de 60 países, se reúne na próxima sexta-feira (24), na Colômbia para 1ª Conferência Internacional sobre Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis.
Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil
Encontro busca aprofundar debates sem caráter de negociação
Promovida pelos governos da Colômbia e da Holanda, a conferência pretende funcionar como um espaço de discussão descrito como horizontal e democrático. Segundo os organizadores, o evento não tem caráter de negociação formal e não busca substituir a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas.
“Não se destina a servir como um órgão de negociação, nem constitui parte de qualquer processo ou iniciativa formal de negociação, e não se destina a substituir a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas [UNFCCC, na sigla em inglês]” informam os organizadores
A programação prevê debates organizados em três eixos: superação da dependência econômica, transformação da oferta e da demanda e promoção da cooperação internacional e diplomacia climática.
Coalizão e painel científico estão na programação
Também está prevista a criação de uma coalizão de países dispostos a iniciar um processo concreto de transformação, com troca de experiências e de iniciativas financeiras, fiscais e regulatórias implementadas nacionalmente.
Além de diálogos setoriais, a agenda inclui o lançamento de um Painel Científico para Transição Energética e uma assembleia de pessoas. A Cúpula de líderes ocorrerá nos dias 28 e 29 de abril, quando a Plenária Geral será encerrada.
Mapa do Caminho nasceu em proposta brasileira na COP30
O Mapa do Caminho é uma proposta brasileira lançada em novembro de 2025, durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém (PA). Na ocasião, sem consenso para que o tema entrasse no documento final, 80 países apoiaram a construção de uma estratégia global para a transição para longe dos combustíveis fósseis.
Com previsão de entrega em novembro, até a COP31, em Antália, na Turquia, o documento segue em processo de construção. Atualmente, a presidência brasileira da COP analisa as contribuições recebidas em uma chamada pública internacional, encerrada em 10 de abril.
Cinco meses após o lançamento, reafirmaram interesse no debate países que, juntos, representam uma grande fatia do mercado de combustíveis fósseis, como Austrália, Canadá, México, Noruega e a União Europeia. Entre os que não pretendem participar estão Estados Unidos, China e Índia.
Organizações sociais destacam mobilização e alertas sobre a Amazônia
Com forte mobilização social favorável à proposta no Brasil, diversas organizações apresentaram contribuições — de povos indígenas a redes que representam centenas de instituições.
O especialista em Conservação do WWF-Brasil, Ricardo Fujii, avalia que a delegação brasileira chega à Conferência de Santa Marta com a oportunidade de exercer um papel estratégico na construção de consensos e na transformação de iniciativas globais em ações efetivas.
A iniciativa colombiana também foi destacada por organizações sociais. Para a coordenadora de Oceanos do Greenpeace Brasil, Mariana Andrade, é simbólico que a primeira conferência internacional para discutir uma transição energética justa ocorra na região, em um contexto em que as tentativas de exploração de petróleo na Foz do Amazonas são tratadas como um alerta.
Ela afirma que a exploração de petróleo e gás na Amazônia teria consequências socioambientais locais e globais e defende que, em Santa Marta, os países reforcem a urgência de barrar a expansão da indústria fóssil na região antes que os danos se tornem irreversíveis.