Superbactéria é detectada em UTI Neonatal do Hospital Fêmina após morte de recém-nascido
Acinetobacter baumannii foi identificada após bebê extremamente prematuro testar positivo; hospital isolou a área e suspendeu novas admissões na unidade
22/04/2026 às 06:52por Redação Plox
22/04/2026 às 06:52
— por Redação Plox
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A Acinetobacter baumannii é a superbactéria identificada em um hospital de Porto Alegre após um bebê recém-nascido, extremamente prematuro, com 26 semanas de gestação, testar positivo e morrer. O óbito foi registrado na UTI Neonatal do Hospital Fêmina.
Ao todo, 34 pacientes estavam internados na unidade. Segundo as informações divulgadas, quatro testaram positivo para a bactéria, incluindo o recém-nascido que morreu.
Hospital Fêmina fecha UTI neonatal após surto Acinetobacter
Foto: Divulgação
O que é a Acinetobacter baumannii e por que preocupa
O micro-organismo é classificado como pan-resistente, ou seja, apresenta resistência aos antibióticos disponíveis atualmente, o que dificulta o tratamento de infecções.
Em 2024, a Acinetobacter baumannii foi considerada uma das bactérias mais perigosas do mundo pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A classificação leva em conta critérios como taxas de mortalidade, incidência de infecções, impacto na saúde, desenvolvimento de resistência, transmissibilidade, evitabilidade, opções de tratamento e a existência de novos medicamentos.
A OMS descreve a bactéria como um patógeno oportunista emergente, associado principalmente a infecções hospitalares. O risco aumenta conforme o tempo de permanência do paciente no hospital, especialmente entre pessoas com o sistema imunológico vulnerável, como recém-nascidos internados em unidades de terapia intensiva.
Outro ponto de alerta é a resistência aos carbapenêmicos, antibióticos de reserva usados em último caso. O uso indiscriminado desses medicamentos contribui para o avanço da resistência bacteriana.
UTI Neonatal fecha temporariamente e hospital adota restrições
Após a detecção, o hospital informou ter adotado medidas de restrição máxima, incluindo o fechamento temporário da UTI Neonatal para novas admissões.
Os outros três bebês que testaram positivo permaneciam em estado estável até a publicação da reportagem. Eles foram isolados e passaram a ser acompanhados por uma equipe exclusiva de cuidados, sem contato com outros setores da instituição.
Os demais pacientes internados seguem sob monitoramento contínuo. Sem admissão de novos casos na unidade, as gestantes de alto risco estão sendo direcionadas para outros hospitais.
Órgãos de saúde são acionados e área é isolada
De acordo com o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), foram acionadas as secretarias municipal e estadual da Saúde e a Vigilância Sanitária. A área afetada passou por isolamento total, com bloqueio de circulações internas, suspensão temporária de novas admissões e realização de testes em todos os bebês internados no setor.
A Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou que acompanha a situação, em diálogo com a Secretaria Municipal de Saúde, e disse estar à disposição para auxiliar no que for necessário.
O que dizem GHC e Secretaria Municipal de Saúde
Equipes da UTI neonatal e controle de infecção do Hospital Fêmina detectaram a presença de uma bactéria pan resistente na UTI Neonatal no último dia 16/04. Imediatamente, todos os órgãos reguladores e de fiscalização foram avisados (secretarias municipal e estadual de saúde e vigilância sanitária) e foram adotados os procedimentos de restrição máxima com isolamento total da área, bloqueio de movimentações, fechamento temporário para novas admissões e testes em todos os pacientes internados no setor.
Dos 34 pacientes internados, quatro testaram positivo. Infelizmente, um dos pacientes positivos veio a óbito. Ele nasceu de um parto de risco e em situação de prematuridade extrema, com 26 semanas. Os outros três bebês positivos estão estáveis e isolados, sendo acompanhados por equipe exclusiva de cuidados, sem contato com outros setores.
As equipes clínica e de enfermagem do Hospital Fêmina vêm atuando de forma diligente, garantindo que nenhum paciente internado ou gestante que tenha buscado o hospital fique sem atendimento ou exposta a situação de risco.
O hospital segue monitorando com o protocolo de restrição máxima para partos de risco, sendo acompanhado pelos serviços de regulação para garantir que eventuais casos graves que buscarem o hospital sejam transferidos para outras unidades hospitalares.
Assessoria de Comunicação, Grupo Hospitalar Conceição, 21/04/26
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou que acompanha a execução dos protocolos de controle sanitário e está apoiando, por meio do SAMU e da Regulação Municipal, o redirecionamento de gestantes de 20 a 35 semanas para outras maternidades da capital. Segundo a secretaria, novas admissões na unidade estão temporariamente suspensas por medida de segurança e monitoramento de rotina.