A tradução para o inglês do livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, foi parar em primeiro lugar nas vendas da Amazon de literatura latino-americana e caribenha. O interesse “repentino” dos leitores veio depois que uma resenha da influenciadora norte-americana Courtney Henning Novak viralizou no Tik Tok. E você, conhece a história de Brás Cubas ou já leu outro livro de Machado de Assis? O Plox recebe em seu estúdio o professor de literatura José Maria Honorato Moreira para explicar por que o escritor é um dos maiores do Brasil. Acompanhe o bate-papo!
“Eu absolutamente amei Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Seriamente, este é provavelmente meu novo livro favorito. Eu vou definitivamente ler mais livros desse autor e mais literatura brasileira”.
O livro saiu pela editora Penguin Classics com tradução de Flora Thomson-DeVaux. Em segundo lugar no ranking da Amazon, está o livro Amor nos Tempos do Cólera, do colombiano Gabriel García Marques. Em terceiro na lista, consta, equivocadamente classificado como latino-americano, o autor russo Fiodor Dostoiévski, com O Idiota.
Machado de Assis: o primeiro imortal da Academia Brasileira de Letras
Machado de Assis é um escritor do século 19 e 90% dos seus escritos são sempre baseados na realidade nacional de sua época. Ele é um grande conhecedor do que acontece no Brasil durante os anos em que ele viveu.
Flora Thomson-DeVeaux, tradutora para o inglês do romance de Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas, em entrevista ao jornal O Globo, disse que não se surpreende com o sucesso da obra. "O que me encanta em “Brás Cubas” é que, ainda hoje, no ano da graça de 2024, ele continua quebrando regras. Você lê e fica: “Ué, mas pode isso?”. Machado já chega rasgando o regulamento. O narrador morreu, mas ninguém te conta como ele consegue escrever o livro. Parece que Machado está te vendo, prevendo todos os seus incômodos e objeções e dizendo que não está nem aí. É libertador."
Flora é nascida nos Estados Unidos, tem 32 anos e vive no Rio de Janeiro. Brás Cubas foi o primeiro romance de Machado que Flora leu, ainda na faculdade. Ela traduziu “Brás Cubas” durante seu doutorado, na Universidade Brown, e conseguiu publicá-lo em 2020. Ela pesquisou a história da recepção do livro nos Estados Unidos, revisitou as traduções já existentes em língua inglesa e dialogou com a crítica machadiana.