Lula desafia orientações da equipe e mantém críticas a Bolsonaro

Segundo o cientista político Valdir Pucci, a insistência de Lula na polarização é uma estratégia inteligente, atraindo votos de eleitores que rejeitam Bolsonaro.

Por Plox

22/06/2024 08h42 - Atualizado há 20 dias

Apesar das recomendações de sua equipe para não mencionar diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Luiz Inácio Lula da Silva persiste em referenciar seu rival político em discursos. Em entrevista à rádio CBN, Lula confirmou que foi aconselhado a evitar citar o nome de Bolsonaro para reduzir a polarização política e retomar um discurso pacificador, além de destacar suas próprias realizações.

Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

Mesmo sem mencionar Bolsonaro nominalmente, Lula faz declarações que claramente se referem ao ex-presidente. Em eventos no Ceará, o presidente comparou a gestão anterior a uma "praga de gafanhotos" e destacou a falta de visitas de Bolsonaro ao estado durante o mandato de Camilo Santana como governador. Em entrevista à rádio Meio, no Piauí, Lula afirmou que seu adversário usou R$ 300 bilhões em isenções e desonerações para tentar se manter no poder.

Lula também criticou o suposto projeto autoritário de Bolsonaro, alegando que ele preenchia cargos com militares de sua confiança e não respeitava instituições democráticas. Em outra entrevista, mencionou Olavo de Carvalho, assessor intelectual de Bolsonaro, criticando suas ideias.

Segundo o cientista político Valdir Pucci, a insistência de Lula na polarização é uma estratégia inteligente, atraindo votos de eleitores que rejeitam Bolsonaro. “Lula sabe que grande parte de sua conquista em 2022 vem da polarização política”, afirmou Pucci.

Breno Guimarães, membro da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep), destaca que as declarações de Lula contribuem para manter a polarização política, algo que fortalece o "Lulismo" ao enfrentar adversários ideológicos fortes como Bolsonaro.

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