Crianças menores de 5 anos concentram 53,8% das internações por queimaduras no SUS em 2024 e 2025

Levantamento da Sociedade Brasileira de Pediatria alerta para riscos em festas juninas e julinas e reforça cuidados com fontes de calor e inflamáveis.

22/06/2026 às 13:18 por Redação Plox

As festas juninas e julinas aumentam a exposição de crianças e adolescentes a fogueiras, fogos de artifício, churrasqueiras, líquidos quentes e materiais inflamáveis. O alerta ganha força diante de um levantamento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), que mostra que menores de 5 anos responderam por 53,8% das internações pediátricas por queimaduras registradas no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2024 e 2025


Festas juninas acendem alerta: menores de 5 anos concentram 53,8% das internações por queimaduras.

Foto: Divulgação/Prefeitura Municipal de Baepend



Nos dois anos analisados, 13,8 mil crianças e adolescentes precisaram ser hospitalizados por queimaduras e outros acidentes térmicos graves. Foram 6.965 internações em 2024 e 6.855 em 2025, média próxima de 20 pacientes internados por dia. A quantidade total de ocorrências pode ser maior, já que os dados não incluem casos atendidos em consultórios, unidades de pronto atendimento ou tratados em casa. 


Foto: Divulgação/Governo do Paraná.


Fogueiras e alimentos quentes exigem atenção

Entre os pacientes hospitalizados, 2.820 tinham de 5 a 9 anos, o equivalente a 20% dos registros. Outros 1.848 estavam na faixa de 10 a 14 anos, enquanto 1.721 tinham entre 15 e 19 anos. A maior parte dos acidentes está relacionada ao contato com fontes de calor e substâncias quentes, principalmente durante o preparo e o consumo de alimentos. 


Maior parte dos acidentes está relacionada ao contato com fontes de calor e substâncias quentes.

Foto: Reprodução/Governo de Minas



A recomendação é manter crianças afastadas de fogueiras, churrasqueiras, panelas e recipientes com bebidas quentes. Elas também não devem manusear fósforos, isqueiros, fogos de artifício ou qualquer objeto que produza fogo ou explosão. A supervisão constante é especialmente importante entre os mais novos, que ainda não conseguem identificar situações de perigo e podem tentar alcançar objetos, puxar toalhas ou repetir atitudes observadas nos adultos.

Produtos químicos, tomadas sem proteção, fios desencapados, álcool líquido e álcool em gel também podem causar lesões graves. A pele infantil é mais sensível, o que aumenta o risco de queimaduras profundas, sequelas, cirurgias e períodos prolongados de recuperação.

O que fazer em caso de queimadura

A orientação dos órgãos de saúde é colocar a área atingida sob água corrente em temperatura ambiente, com jato suave, por cerca de dez minutos. Não se deve aplicar gelo, pasta de dente, manteiga, café, pomadas ou qualquer receita caseira. As bolhas não devem ser furadas e roupas grudadas à pele não devem ser retiradas à força.

Queimaduras extensas, elétricas, químicas ou que atinjam regiões sensíveis exigem atendimento urgente. Nessas situações, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pode ser acionado pelo telefone 192, e o Corpo de Bombeiros, pelo 193.

Sudeste lidera hospitalizações

O Sudeste apresentou o maior número de internações pediátricas por queimaduras entre as regiões brasileiras, com 2.203 registros em 2024 e 2.328 em 2025. Na sequência aparecem Nordeste, Sul, Norte e Centro-Oeste. Dados do SUS também apontam mais de 300 mortes de crianças e adolescentes por ano em decorrência de queimaduras e acidentes térmicos em 2023 e 2024.

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