Importação de tirzepatida do Paraguai, proibida pela Anvisa, vira disputa na Justiça Federal

Ao menos 12 ações já tratam do tema, com cinco liminares favoráveis a pacientes; agência recorre e alerta para falta de registro e riscos no transporte.

22/06/2026 às 08:29 por Redação Plox


Versões paraguaias de medicamentos à base de tirzepatida, utilizados no tratamento da obesidade e do diabetes, tornaram-se alvo de uma disputa na Justiça Federal. Mesmo com a importação proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), alguns pacientes conseguiram decisões liminares autorizando a entrada dos produtos para uso pessoal.

A Anvisa tem recorrido das decisões. A agência sustenta que medicamentos sem registro podem ser importados excepcionalmente para uso pessoal, mas essa permissão não se aplica aos produtos que já foram formalmente proibidos no Brasil.

Ampolas de tirzepatidatrazidas do Paraguai

Ampolas de tirzepatidatrazidas do Paraguai

Foto: Reprodução / PRF


Preço impulsiona procura pelas versões paraguaias

O principal argumento apresentado pelos pacientes é o custo do tratamento. A versão de menor dosagem do Mounjaro, medicamento com tirzepatida autorizado no Brasil, custa cerca de R$ 1,4 mil por mês. No Paraguai, produtos com doses maiores são encontrados por aproximadamente R$ 460.

Entre as marcas de tirzepatida proibidas pela Anvisa estão Lipoless, Tirzec, Gluconex, Tirzedral, Slimex MD, Slimex, Rapha e produtos das marcas Synedica e TG. As medidas impedem a comercialização, a distribuição, a importação, a divulgação e o uso dos itens atingidos.

Segundo a agência, essas versões não passaram pela avaliação sanitária brasileira, o que impede garantir sua qualidade, eficácia e segurança. Outro problema é a conservação: a tirzepatida deve ser mantida refrigerada, geralmente entre 2°C e 8°C, condição que pode não ser respeitada durante o transporte em bagagens ou cargas clandestinas.

Polícia apreende tirzepatida e cabelo escondidos com passageiras paraguaias no Paraná

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Foto: PRF


Apreensões aumentaram em 2026

Dados da Receita Federal indicam que 414 mil unidades de medicamentos irregulares à base de GLP-1 foram apreendidas entre janeiro e maio de 2026. O volume é mais de 12 vezes superior às cerca de 33 mil unidades recolhidas durante todo o ano de 2025, com concentração das ocorrências no Paraná, na fronteira com o Paraguai.

Os pacientes que recorreram à Justiça alegaram possuir prescrição médica, enfrentar doenças como obesidade e diabetes e não ter condições financeiras de manter o tratamento com produtos autorizados no Brasil. Parte deles também afirmou já ter tentado outros medicamentos ou procedimentos sem alcançar o resultado esperado.

Tirzepatida é escondida em pneu para burlar fiscalização

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Foto: Divulgação


Notificações não comprovam relação com o medicamento

O sistema de farmacovigilância da Anvisa recebeu, desde a aprovação da tirzepatida no país, 545 notificações de suspeitas de reações adversas, incluindo 44 mortes. Os registros permanecem sob investigação e não comprovam, isoladamente, que o medicamento tenha provocado os óbitos.

A base também não permite identificar quantos casos envolveram produtos irregulares ou trazidos do Paraguai. Médicos e entidades da área de endocrinologia reforçam que medicamentos sem registro podem apresentar problemas de pureza, dosagem, fabricação e conservação.

As decisões favoráveis e contrárias continuam sendo analisadas individualmente pela Justiça Federal. Enquanto os processos avançam, a Anvisa tenta reverter as liminares e mantém a orientação para que pacientes utilizem apenas medicamentos regularizados, com prescrição e acompanhamento profissional.

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