Fome cai pelo terceiro ano, mas ainda atinge 645 milhões de pessoas no mundo

Relatório de agências da ONU aponta que 2,1 bilhões enfrentaram insegurança alimentar moderada ou grave em 2025.

22/07/2026 às 11:13 por Redação Plox

A fome diminuiu pelo terceiro ano consecutivo em 2025, mas ainda afetou cerca de 645 milhões de pessoas, o equivalente a 7,8% da população mundial. O total representa uma redução de aproximadamente 14 milhões em relação a 2024 e de 43 milhões na comparação com o pico registrado em 2022.


Fome cai pelo terceiro ano, mas ainda atinge 645 milhões de pessoas no mundo

Fome cai pelo terceiro ano, mas ainda atinge 645 milhões de pessoas no mundo

Foto: Magnific


Os dados foram divulgados nesta terça-feira (21) no relatório “Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo 2026”, elaborado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola, Unicef, Programa Mundial de Alimentos e Organização Mundial da Saúde. Apesar da melhora, cerca de 2,1 bilhões de pessoas enfrentaram insegurança alimentar moderada ou grave em 2025.

África concentra o maior número de pessoas com fome

A recuperação permanece desigual entre as regiões. A África passou a concentrar aproximadamente 309 milhões de pessoas subalimentadas, acima dos 292 milhões registrados na Ásia. A proporção de africanos atingidos pela fome caiu de 20,3% em 2024 para 20% em 2025, interrompendo pela primeira vez desde 2017 a sequência de agravamento no continente.

Mesmo com a tendência de queda mundial, a meta de erradicar a fome até 2030 está distante. As projeções indicam que entre 510 milhões e 520 milhões de pessoas ainda poderão estar subalimentadas no fim da década. Os cálculos não consideram integralmente possíveis impactos de um El Niño forte em 2026 e 2027, além de reduções no financiamento humanitário e de novas pressões sobre os preços de energia, fertilizantes e alimentos.

Alimentação saudável é inacessível para 2,69 bilhões

O relatório também aponta que 2,69 bilhões de pessoas, ou 32,7% da população mundial, não tinham condições financeiras de manter uma alimentação saudável em 2025. O custo médio global dessa dieta chegou a US$ 4,28 por pessoa ao dia, em valores calculados pela paridade do poder de compra.

Na África, 66,6% da população não conseguia pagar por uma dieta saudável, mais que o dobro dos percentuais observados na Ásia e na América Latina e no Caribe. Entre os fatores que encarecem alimentos nutritivos estão deficiências no transporte, armazenamento, refrigeração, processamento e distribuição, especialmente de frutas, verduras, leite, carne e outros produtos perecíveis.

Outros indicadores também preocupam: cerca de 150 milhões de crianças menores de cinco anos apresentam atraso no crescimento, a anemia entre mulheres de 15 a 49 anos está aumentando e a obesidade entre adultos passou de 12,1% em 2012 para 16,2% em 2024. Para preservar os avanços, as agências defendem investimentos em proteção social, irrigação, armazenamento, cadeias de refrigeração, transporte e acesso dos agricultores a sementes, fertilizantes, água e crédito.

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a