Moraes ordena investigação da PF sobre vazamento de mensagens envolvendo seu gabinete

STF busca identificar responsáveis pelo vazamento de conversas que sugerem influência direta entre auxiliares de Moraes e o TSE, durante investigações sobre aliados de Bolsonaro.

Por Plox

22/08/2024 07h25 - Atualizado há cerca de 1 ano

A Polícia Federal (PF) abriu um inquérito, sob sigilo, para apurar o vazamento de mensagens que sugerem uma ligação direta entre auxiliares do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante investigações relacionadas a aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. A abertura do inquérito foi determinada por Moraes na última segunda-feira (19).

Ministro Alexandre de Moraes, do STF Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

Depoimento de perito convocado

Eduardo Tagliaferro, ex-chefe do setor de combate à desinformação do TSE, foi convocado para prestar depoimento e é esperado na superintendência da PF em São Paulo nesta quinta-feira (22). O advogado de Tagliaferro, Eduardo Kuntz, solicitou acesso aos autos do inquérito para entender as razões específicas pelas quais seu cliente foi citado. Em seu pedido, o criminalista destacou a importância de ter acesso total aos elementos que fundamentam a investigação para que seu cliente possa se defender adequadamente.

Tagliaferro, em conversas privadas, negou qualquer envolvimento na divulgação das mensagens e afirmou que jamais colocaria sua vida em risco ao expor tais informações. Há suspeitas de que as mensagens vazadas tenham sido extraídas de seu celular, apreendido pela Polícia Civil de São Paulo em maio de 2023, após sua prisão em flagrante por violência doméstica, o que resultou em sua exoneração do cargo no TSE.

Circunstâncias do vazamento e depoimentos adicionais

O celular de Tagliaferro, apreendido durante sua prisão, permaneceu lacrado na delegacia por seis dias, conforme registrado no boletim de ocorrência. A ex-mulher de Tagliaferro, Carla Tagliaferro, e seu ex-cunhado, Celso Luiz de Oliveira, também foram intimados a depor como testemunhas, já que Oliveira foi o responsável por levar o aparelho à delegacia.

As mensagens vazadas, divulgadas inicialmente pela Folha de S. Paulo, apontam que, durante sua presidência no TSE, Moraes teria utilizado o setor de combate à desinformação do tribunal para criar documentos que foram usados nos inquéritos das fake news e das milícias digitais, que tramitam no STF.

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