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    Polícia indicia Fontenelle por usar o termo “paraíba”; mimimi ou justiça?

    Apresentadoras pode ser presa por até 3 anos e ainda pagar multa

    Por Plox

    22/09/2021 14h27 - Atualizado há cerca de 1 mês

    A Polícia Civil do estado da Paraíba indiciou a atriz e apresentadora do Youtube, Antônia Fontenelle, acusada pelo crime de preconceito. A atriz, em uma de suas apresentações, ao falar sobre agressão do DJ Ives, acabou usando o termo “Paraíba”. De acordo com a Polícia Civil, isso seria racismo e ela cometeu o crime de preconceito ao usar essa palavra. Ainda segundo o inquérito, isso seria uma manifestação de preconceito  generalizado contra os nordestinos. O delegado paraibano Marcelo Antas Falcone conclui a acusação, afirmando que as investigações pelo uso da palavra coloca a apresentadora como alguém que feriu a lei, e que portanto, por ter cometido crime de racismo, ela está sujeita à prisão de um a três anos mais a multa pelo crime de preconceito ou discriminação.
    A fala de Antônia Fontenelle se deu em um momento no qual ela comentava os vídeos das agressões sofridas pela esposa do DJ Ives. Fontenelle se mostrou indignada com as agressões contra mulher e postou o seguinte texto na rede social: "Esses 'paraíbas' fazem um pouquinho de sucesso e acham que podem tudo. Amanhã vou contatar as autoridades do Ceará para entender porque esse cretino não foi preso".
    DJ Ives, apontado como responsável pelas agressões, mora em Fortaleza, mas é paraibano. Ele foi detido no dia 14 de agosto.
    Após as falas da apresentadora, alguns cantores, artistas e blogueiros usaram as redes sociais para criticar o uso da palavra “paraíba”. Diante da grande quantidade de críticas, Antônia Fontenelle voltou a abordar o assunto, dizendo que estava sendo vítima de um movimento na internet.

     

    Antônia Fontenelle
    Foto: divulgação


    “Esse bando de desocupado aí da máfia digital que não tem nada o que fazer. Se juntaram pra agora me acusar de xenofobia. De novo? Num cola! Já tentaram me acusar de xenofobia. (…) Porque eu falei ‘esses ‘paraíba’ quando começam a ganhar um pouquinho de dinheiro acham que podem tudo. ‘Paraíba’ eu me refiro a quem faz ‘paraibada‘, pode ser ele sulista, pode ser ele nordestino, pode ser ele o que for. Se fizer paraibada, é uma força de expressão”, disse a atriz em um vídeo.

    A Polícia Civil mobilizou também o estado do Rio de Janeiro, através de carta precatória, que foi cumprida e Antônia Fontenelle foi obrigada a depor em uma delegacia de polícia Civil da Barra da Tijuca. Em seu interrogatório, de acordo com as informações da PC, Antônia Fontenelle disse que usou as expressões, mas que estava se referindo ao DJ e que não estava com intuito de ofender toda população do estado da Paraíba. Ela também disse que usou essas palavras fortes porque estava muito indignada com as agressões feitas pelo DJ, portanto eram destinadas somente a ele. O indiciamento feito pela Polícia Civil será agora encaminhado à Justiça e caberá ao Ministério Público dar prosseguimento às providências de praxe.
    A paraibana Juliette Freire, também aproveitou estar no auge da sua popularidade, para usar as redes sociais e criticar o uso da palavra “Paraíba”. Ela e outros artistas, Chico César, Flay, GKay, se pronunciaram sobre o caso criticando a apresentadora. "Não existe 'ser Paraíba' e 'fazer paraibada'. Existe ser paraibana/o, o que sou com muito orgulho", disse Juliette.

    A redação do PLOX tentou contato com a apresentadora, para ouvir o posicionamento dela acerca do indiciamento, mas, até o momento da publicação desta matéria, não obteve sucesso.


    “Mimini” ou justiça

    O indiciamento de Antônia Fontenelle pelo uso da palavra “paraíba” se tornou um dos assuntos mais comentados. Nas redes sociais, estabeleceu-se mais uma polêmica e as pessoas questionam se é justo a apresentadora vir a ser detida por um a três anos, por ter usado a palavra “paraíba”,m quano se referiu ao DJ.  Para muitos internautas, isso seria “mimimi”, ou seja, reclamação exagerada e sep necessidade diante de outros problemas mais urgentes. “Essa é a justiça do Brasil.  Tem coragem de prender uma pessoa por ter falado uma palavra e deixa muito bandido solto”,  afirmou um internauta. 

    Outro  internauta já afirma que quando a apresentadora usou a palavra “paraíba” teria cometido o crime de agressão a todo estado da Paraíba e a todos os nordestinos. Segundo ele, Antônia Fontenelle deveria sim , “ir para a cadeia por causa do grande delito que ela comentou”, afirmou.

     

    Redes sociais

    As redes sociais se tornaram palco para que várias situações evoquem posicionamentos contrários, como nesse caso. Alguns grupos acreditam que todo comportamento e todas as falas devem ser “monitorados e vigiadas” e que as pessoas devem ser punidas e até presas, por suas falas. Outros, que chamam esses questionamentos de “mimimi”, acreditam que há um “exagero de monitoramento e patrulhamento”, impedindo a liberdade de expressão, natural de todo ser humano. Eles inclusive citam a própria Justiça, que tem a definição de que “a vida em sociedade pode trazer dissabores do dia a dia e , nem por isso, tudo precisa ser tratado como crime”.  Para essas pessoas, esse exagero cria mais problemas do que soluções.

     

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