Mulher tem bexiga retirada erroneamente durante parto cesariana; caso é alvo de investigações

Erro médico grave em parto cesariana no Reino Unido

Por Plox

22/09/2023 15h31 - Atualizado há 7 meses

Na Inglaterra, um caso médico ocorrido em 2015, mas revelado apenas recentemente, chocou a população. Durante o parto cesariana, a britânica Felicity Benyon, de 37 anos à época, teve sua bexiga retirada erroneamente pelos médicos do Queen's Medical Center. O incidente foi noticiado nesta semana pelo veículo The Mirror.

De acordo com Benyon, enquanto estava na mesa de operação, os profissionais de saúde removeram sua bexiga, justificando que era um procedimento necessário devido a uma rara e perigosa complicação na gestação, conhecida como placenta percreta. No entanto, ela alega que o protocolo médico não foi devidamente seguido, o que colocou sua vida em risco.

O caso se agravou quando, durante o procedimento, a equipe médica enfrentou dificuldades em diferenciar o útero, a placenta e o bebê, tornando a situação ainda mais delicada. A cesariana tornou-se mais complexa quando a placenta aderiu completamente ao útero, necessitando assim, uma histerectomia emergencial.

Testemunhas apontam que não havia um urologista no local no momento da histerectomia. Um especialista de outra instituição teve que ser chamado às pressas para atender Benyon, que se encontrava na mesa de cirurgia com sangramentos e problemas de urina.

Ao recuperar a consciência após a anestesia, foi informada sobre a remoção da bexiga, causada pela complicação da placenta percreta. Anos depois, descobriu que sua bexiga estava saudável e sua remoção foi, na verdade, um grave erro médico. Felicity agora depende de uma bolsa de urostomia permanente para eliminar a urina.

 

Violência no parto

Esse incidente ressalta uma questão crítica relacionada à segurança e ao tratamento das gestantes nos hospitais. Além de Benyon, outras 1.800 mães no Reino Unido participam de um programa de Revisão de Maternidade, que investiga problemas em departamentos de maternidade em diversos hospitais do grupo. O foco é elucidar a verdade e responsabilizar os envolvidos em erros médicos que possam ter comprometido a segurança de mães e bebês.

Em solo brasileiro, a pesquisa "Nascer no Brasil" de 2022 aponta que 45% das mulheres afirmam ter sofrido algum tipo de violência obstétrica no SUS e na rede privada, e 30% na rede privada.

 

Tipos de violência obstétrica

A violência no parto pode manifestar-se de várias formas, incluindo a negação de tratamento durante o procedimento, discriminação baseada em raça, origem étnica ou condição econômica, violência de gênero, e negligência na provisão de cuidados necessários para garantir a saúde da mãe e do bebê. Este incidente no Reino Unido ilustra uma situação extremamente severa de erro médico, que não só traumatizou a paciente como alterou permanentemente sua qualidade de vida.

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