Xi Jinping garante apoio da China ao Brasil após críticas de Lula a ataque dos EUA à Venezuela

Em telefonema a Lula, líder chinês cita ‘situação internacional turbulenta’, defende fortalecimento da ONU, proteção do Sul Global e exalta parceria estratégica e cooperação Sul-Sul com o Brasil

23/01/2026 às 12:20 por Redação Plox

Em conversa por telefone com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o líder chinês, Xi Jinping, assegurou o apoio da China ao Brasil em meio ao que classificou como uma “situação internacional turbulenta”, defendendo o fortalecimento do papel das Nações Unidas e a proteção dos interesses do Sul Global.

A ligação, divulgada na madrugada desta sexta-feira (23) pela agência estatal chinesa Xinhua, ocorreu após as críticas de Lula ao ataque dos Estados Unidos à Venezuela, feitas em artigo publicado nesta semana no jornal New York Times.

Foto: Presidência


China e Brasil defendem Sul Global e ONU

De acordo com a Xinhua, Xi afirmou que China e Brasil devem atuar conjuntamente para salvaguardar os interesses comuns do Sul Global e manter o protagonismo da ONU diante do atual cenário geopolítico.

As declarações vieram semanas depois de o governo norte-americano prender o presidente venezuelano Nicolás Maduro, levado aos Estados Unidos para ser julgado por acusações relacionadas ao tráfico de drogas, o que mergulhou Caracas em um quadro de incerteza política.

Reação latino-americana à ação dos EUA

A ofensiva norte-americana na Venezuela gerou apreensão entre países da América Latina, que veem risco de novas intervenções armadas na região, e motivou críticas dentro da própria Organização das Nações Unidas.

Em entrevista ao programa Today, da BBC Rádio 4, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que os Estados Unidos agiam com impunidade e que os princípios fundadores da organização, como a igualdade entre os Estados-membros, estavam sob ameaça.

Em artigo de 18 de janeiro no New York Times, Lula defendeu que o futuro da Venezuela, assim como o de qualquer outro país, deve permanecer sob responsabilidade de sua própria população. No texto, o presidente brasileiro ressaltou que, em mais de dois séculos de história independente, era a primeira vez que a América do Sul sofria um ataque militar direto dos EUA, embora o país já tivesse intervindo anteriormente na região, e alertou que um mundo baseado em hostilidade permanente não é sustentável.

Ameaças e tensões além da América do Sul

Outra frente de tensão citada no debate internacional envolve a ameaça feita pelo ex-presidente norte-americano Donald Trump de usar a força para obter a Groenlândia, território autônomo vinculado à Dinamarca, o que abalou relações com aliados de segurança do outro lado do Atlântico.

Os bombardeios na Venezuela e o indiciamento de Maduro também colocam em xeque a influência da China na América Latina e no Caribe, região na qual Xi Jinping prometeu novas linhas de crédito e aumento de investimentos em infraestrutura.

Parceria estratégica entre China e Brasil

Nesse contexto, Xi reforçou a disposição de Pequim em aprofundar laços com os países latino-americanos, destacando a parceria com Brasília como exemplo da cooperação Sul-Sul em andamento.

Segundo o líder chinês, o acordo estratégico firmado em 2024 para alinhar a iniciativa chinesa do Cinturão e Rota (BRI, na sigla em inglês) aos planos do Brasil em áreas como agricultura, infraestrutura e transição energética ilustra o esforço de ambos os lados para reforçar a solidariedade e a integração entre nações em desenvolvimento.

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