Mercado reduz previsão de inflação para 2026 e aponta nova queda da Selic, diz Focus
Estimativa para o IPCA em 2026 caiu de 3,95% para 3,91% no sétimo recuo seguido; projeções também indicam PIB ligeiramente maior e dólar mais baixo no período
23/02/2026 às 10:40por Redação Plox
23/02/2026 às 10:40
— por Redação Plox
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Os economistas do mercado financeiro reduziram de 3,95% para 3,91% a estimativa de inflação para 2026. É o sétimo recuo consecutivo do indicador.
A projeção consta no boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (23) pelo Banco Central, com base em pesquisa feita na última semana com mais de 100 instituições financeiras.
Imagem ilustrativa
Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil
Se a nova previsão se confirmar, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficará abaixo do resultado do ano passado, quando somou 4,26%.
Para os anos seguintes, o mercado manteve as projeções de inflação:
2027: expectativa estável em 3,80%;
2028: previsão mantida em 3,50%;
2029: estimativa também em 3,50%.
Metas de inflação e poder de compra
Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo oficial é manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da meta se oscilar entre 1,50% e 4,50%.
A dinâmica dos preços tem impacto direto na renda das famílias. Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população, especialmente de quem recebe salários mais baixos, pois os preços sobem enquanto a remuneração não acompanha o mesmo ritmo.
Juros ainda altos, mas com queda esperada
Após a taxa básica de juros da economia ter sido mantida em 15% ao ano no mês passado — o maior nível em quase 20 anos —, o mercado segue projetando recuo ao longo deste ano.
Para a taxa ao fim de 2026, a projeção caiu de 12,25% para 12,13% ao ano. No fechamento de 2027, a estimativa foi mantida em 10,50% ao ano. Para 2028, os analistas seguem prevendo juros de 10% ao ano.
Atividade econômica e PIB
Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, o mercado ajustou levemente a projeção, de 1,80% para 1,82% na última semana.
O resultado oficial do PIB do ano passado ainda não foi divulgado pelo IBGE.
O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e é usado como principal termômetro do desempenho da economia.
Para 2027, a projeção de avanço do PIB foi mantida em 1,8%.
Câmbio: dólar em leve queda nas projeções
Apesar do período eleitoral, que costuma pressionar o câmbio, o mercado financeiro projeta queda da taxa de câmbio neste ano.
Depois de recuar mais de 11% no ano passado, influenciado também pelos juros altos no Brasil, o dólar fechou 2025 em R$ 5,4887. A partir desse patamar, economistas de bancos reduziram a expectativa para 2026 e agora esperam que a moeda termine o ano em R$ 5,45, em vez de R$ 5,50.
Para o fim de 2027, a estimativa do mercado para a taxa de câmbio permaneceu em R$ 5,50.
O desempenho do dólar em 2025 foi descrito como o pior em quase uma década, refletindo apostas em novos cortes de juros pelo Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, além de preocupações com o déficit das contas públicas e com a condução da economia pelo presidente Donald Trump.